HABRONEMOSE CUTÂNEA EM EQUINOS

O Brasil é ranqueado como um dos maiores rebanhos de equinos do mundo, contando com 5,9 milhões de animais, apenas atrás da China (8,2 milhões) e México (6,2 milhões). A equinocultura gera aproximadamente 1,2 milhões de trabalhos diretos, uma atividade de grande importância no ramo do agronegócio. Com grande interação com turismo, cultura e lazer, a aptidão dos criadores para desenvolver animais geneticamente melhorados e com grande valor zootécnico justifica o constante crescimento do setor (CNA, 2003).

O equino é hospedeiro único de várias espécies de endoparasitas, com maior predileção por aqueles animais que são criados à pasto ou pelos que têm acesso a piquetes uma parte do dia. A relação entre parasita e animal ocorre de forma equilibrada e a demonstração de sinais clínicos ocorre de acordo com a carga parasitaria presente no animal e com situações de desafios, tais como estresse e baixo escore corporal (FERREIRA, 2016).

Uma parasitose relevante nessa espécie é a Habronemose cutânea, também conhecida por ferida de verão, uma dermatose nodular de equinos, gerada por hipersensibilidade às larvas de helmintos gástricos dos gêneros, Habronema muscae, Habronema majus e Draschia megastoma, podendo alcançar até 13mm de comprimento. Os ovos destes parasitas têm origem no estômago dos animais, sendo eliminados nas fezes. Consequentemente, as moscas se alimentam dessas fezes contaminadas, tornando-se assim hospedeiros intermediários e se desenvolvendo para forma infectante (McGAVIN, 2009 e DURO, 2010).

A infecção acontece na ingestão das moscas mortas na água ou na alimentação, podendo ser depositada no focinho dos animais, no qual é ingerida e posteriormente alcança o sistema digestório para completar seu ciclo biológico. Quando infectantes as larvas podem ser depositadas em feridas cutâneas, causando lesões que vão caracterizar a ferida de verão (SANTOS & ALESSI, 2016; DURO, 2010).

Já a lesão é causada através da deposição de larvas em lesões abertas ou em partes do corpo mais úmidas tais como: olhos, lábios, narinas, prepúcio, pênis e vulva (DURO, 2010; SANTOS & ALESSI, 2016). Os animais que apresentam Habronemose em seu corpo, terão uma lesão nodular ou múltiplas, podendo ser ou não acompanhada por tecido de granulação. Essas feridas não cicatrizam por conta da presença das larvas, que não completam seu ciclo mantendo a inflamação ativa (SANTOS & ALESSI, 2016).

Seu diagnóstico é baseado nos sinais clínicos apresentado pelo animal, podendo ser identificado no raspado de pele ou biópsia da lesão (FORTES, 2004). Devido ao prurido intenso, há traumas no local de deposição das larvas, gerando um granuloma com bordas irregulares que não cicatriza, podendo evoluir para uma fibrose inativa, com tamanho até dez vezes maior do que no início.

A ocorrência desta patologia no Brasil é frequente devido ao controle ineficaz do hospedeiro e do baixo uso de anti-helmínticos (BELLI et al., 2005). De acordo com Silva et al (2017), preconiza-se a avaliação da lesão para distinguir a conduta mais adequada para realização do tratamento da Habronemose, sendo elas: excisão cirúrgica completa do tecido de granulação exuberante, tratamento sistêmico, curativo tópico e vermifugação por via oral.

Nos casos em que o animal apresente apenas pequenas lesões, é realizado o curativo local com pomada cicatrizante associada a um organofosforado e um vermífugo à base de Ivermectina, já que é necessário também tratar os parasitas internos, principalmente os presentes no estômago, com administração oral de pasta à base de Ivermectina (SILVA et al., 2017).

A JA Saúde Animal sugere como parte do tratamento o vermífugo Equijet®, antiparasitário em pasta, à base de Ivermectina e Pamoato de Pirantel, que apresenta amplo espectro de ação no tratamento e controle das parasitoses internas dos equinos.  Além de contribuir para o combate dos agentes causadores da Habronemose, Equijet® irá combater os demais parasitas gastrintestinais presentes no trato digestório do animal, proporcionando melhor desempenho animal e reduzindo o grande impacto negativo que as helmintoses causam em seu desenvolvimento.

 

Autores:

M.V. Guilherme Luiz Gomes da Silva

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

M.V. Eduardo de Castro Rezende

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu

Médico Veterinário e Fundador da JA Saúde Animal

 

Referências bibliográficas:

BELLI, C.B. et al. Aspectos endoscópicos da Habronemose gástrica equina. Rev. Educ. Contin. CRMV-SP, São Paulo, v. 8, n. I, p. 13-18, 2005.

CNA, 2003. Confederação da agricultura e pecuária do Brasil cria comissão para o setor de agronegócio do cavalo. Disponível em: http://www.cna.org.br/AgropecuariaAgora/Agora03/ag297.htm. Acesso em: 14 set 2020.

DURO, LIA S. L.S. Parasitismo gastrintestinal em animais da quinta pedagógica dos olivais. Especial referência aos mamíferos ungulados. Lisboa. Pág 41-42. 2010.

FERREIRA, M. S. Parasitas gastrintestinais em equinos com aptidão de trabalho e desporto no distrito de Santarém. Portugal. Lisboa. 2016.

FORTES, E. Parasitologia veterinária. 4 ed. São Paulo: Ícone, p.342-348. 2004.

McGAVIN, M. D. Bases da patologia em veterinária. 4ᵃ Edição, Editora Elsevier, pág 339-340. 2009.

SANTOS, R. L. e ALESSI, A. C. Patologia Veterinária. 2ᵃ Edição, Editora Roca, Pág. 168-169, 459. 2016.

SILVA, T. O; ZULIANI, F; INÁCIO, R. B; MASSENO, A.P; SOTERO, A; ROMÃO, F. M.  Habronemose cutânea equina – relato de caso. Revista científica de medicina veterinária, ano XIV - Número 29. 2017.

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