A interrupção da lactação, conhecida como período seco da vaca, é essencial para a saúde, bem estar, produção de leite e colostro dos bovinos leiteiros. Apesar da importância dessa estratégia e da popularidade dessa prática nas fazendas leiteiras, há escassez de estudos sobre o tema na literatura científica (BERTULAT et al., 2013).

A realização desse procedimento é essencial para a recuperação da glândula mamária após um longo período de lactação. Estudos comprovam que sem esse descanso entre as lactações, há uma redução considerável da produção leiteira na lactação seguinte (FOLEY et al., 1972; OLIVER; SORDILLO,1988).

Um fator extremamente importante que explica essa redução da produção é a interferência que a não retirada do leite tem sobre a produtividade. Quando a vaca não é esgotada algumas semanas antes do parto, desencadeia-se um processo fisiológico de involução da glândula mamária, com queda e reabsorção da produção, além de alterações nas características físico-químicas e celulares do leite (SMITH; TODHUNTER, 1982).

Quanto a duração do período seco, embora haja divergências entre autoridades no assunto, são recomendados períodos entre 45 a 70 dias. Períodos inferiores a 45 dias tendem a reduzir drasticamente a produção da vaca, enquanto que valores superiores a 70 dias aumentam a incidência de enfermidades metabólicas características no pós-parto. Ademais, vacas com gestações gemelares ou sob estresse térmico ambiental podem antecipar em até 15 dias o parto, por isso a decisão do período seco depende do sistema de criação e das condições ambientais no qual o animal está sujeito (SOUZA, 2017).

Outro fator de alta relevância é alta susceptibilidade das vacas secas em relação a ocorrência de novas infecções intramamárias, principalmente nas duas primeiras semanas do período. Em consonância a isso, a terapia de secagem é a estratégia mais eficaz para o controle dos microrganismos. Segundo Fonseca & Santos (2011), esse tipo de terapia é altamente efetiva, promovendo taxas de cura em média de 70% para Staphylococcus aureus (agente de difícil controle durante a lactação) e de mais de 90% para o Steptococcus agalactiae (SANTOS, 2001; RINDSIG et al., 1978; CUMMINS; MCCASKEY, 1987).

Esse procedimento consiste na aplicação de antimicrobianos intramamários de longa ação no momento da secagem, podendo ser utilizado também um selante intramamário capaz de vedar mecanicamente o esfíncter do teto, aumentando ainda mais a proteção no período. Em determinados casos, quando há detecção de mastite, é necessário associar uma terapia sistêmica ao tratamento local (ANDREWS et al., 2008; DIAS et al., 2007).

A JA Saúde Animal possui uma linha completa de soluções para a terapia de secagem. Nesse sentido, o principal produto é o Intrasec, antimicrobiano intramamário de longa ação e amplo espectro, apresentando eficácia superior a 90% na cura de novas infecções no período seco (PETZER et al., 2009). Para auxiliar ainda mais na proteção, a JA também possui o Selateto, selante sintético que protege a glândula mamária durante todo o período que a mesma não é ordenhada.

Referências:

ANDREWS, A.H.; BLOWEY, R.W.; BOYD, H.; EDDY, R.G. Medicina bovina: doenças e criação de bovinos. 2.ed. São Paulo: Roca, 2008. 1080p.

Bertulat, S., Fischer-Tenhagen, C., Suthar, V., Möstl, E., Isaka, N. & Heuwieser, W. (2013). Measurement of fecal glucocorticoid metabolites and evaluation of udder characteristics to estimate stress after sudden dry-off in dairy cows with different milk yields. Journal of Dairy Science, 96, 3774- 3787.

CUMMINS, K.A.; MCCASKEY, T.A. Multiple infusions of cloxacilina for treatment of mastitis during the dry period. Journal of Dairy Science, v.70, n.12, p.2658-2665, 1987.

DIAS, R.V.C. Principais métodos de diagnóstico e controle da mastite bovina. Acta Veterinária Brasílica, Mossoró, v.1, n.1, p.23-27, 2007. Disponível em: . Acesso em: 17 jan. 2011.

FOLEY, R.C.; BATH, D.L.; DICKINSON, F.N.; TUCKER, H.A. Dairy Cattle: principles, practices, problems, profits. Philadelphia: Lea & Febiger, 1972. 693p.

OLIVER, S.P.; SORDILLO, L.M. Udder health in the periparturient period. Journal of Dairy Science, v.71, n.9, p.2584-2606, 1988.

RINDSIG, R.B.; RODEWALD, R.G.; SMITH, A.R.; SPAHR, S.L. Complete versus selective dry cow therapy for mastitis control. Journal of Dairy Science, v.61, n.10, p.1483-1497, 1978.

SANTOS, M. V. Milkpoint: A importância do período seco no controle de mastite, 2001. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/a-importancia-do-periodo-seco-no-controle-de-mastite-16190n.aspx>. Acesso em: 02 jul. 2020.

SMITH, K.L.; TODHUNTER, D.A. The physiology of mammary glands during the dry period and the relationship to infection. In: ANNUAL MEETING OF NATIONAL MASTITIS COUNCIL, 21., 1982, Louisville, Proceedings. Kentucky: N.M.C., 1982. p.87-100.

SOUZA, A. Milkpoint: Secagem de vacas leiteiras, 2017. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/canais-empresariais/ceva/secagem-de-vacas-leiteiras-105044n.aspx>. Acesso em: 02 jul. 2020.

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