Como proteger o rebanho bovino da mosca-dos-chifres?

O artigo a seguir, visa transmitir informações técnicas, bem como sugerir métodos de tratamento e controle com ênfase no gado leiteiro

Introdução

A mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) é um ectoparasita hematófago, de origem europeia, que foi introduzido no Brasil através da importação de gado. Essa mosca é considerada de interesse econômico por conta dos prejuízos que pode ocasionar na pecuária. Ela alimenta-se exclusivamente de sangue (faz aproximadamente de 15 a 40 repastos sanguíneos por dia), tendo como hospedeiro preferencial os bovinos. Portanto, esse comportamento é responsável por ocasionar doenças aos animais parasitados e provocar quadros anêmicos (ZANETI, 2023; DE FREITAS, 2024).

É importante destacar que a picada da mosca-dos-chifres é extremamente dolorosa resultando em incômodo e estresse aos hospedeiros. Diante disso, os bovinos tornam-se inquietos, sempre em busca de alternativas para se livrarem do inseto e procurarem refúgio, assim acabam deixando de pastejar e ingerir água, o que reflete em queda da produtividade e dos índices reprodutivos (BRITO et al., 2005).

Geralmente a mosca-dos-chifres parasita áreas do corpo dos bovinos de difícil acesso e expulsão, como por exemplo, pernas, região dorso-lombar e barriga. Sem contar que ela possui preferência por animais de pelagem mais escura, machos e animais que estejam mais debilitados. Vale ressaltar que outras espécies também estão sujeitas a serem parasitadas, inclusive a humana (BRUCE, 1964; BRITO et al., 2005; DE FREITAS, 2024).

Ciclo Biológico

A Haematobia irritans é dependente total do hospedeiro, necessitando do seu sangue para alimentação e das suas fezes para oviposição. A cópula ocorre em cima desse hospedeiro e os ovos são depositados e se desenvolvem nas suas fezes (frescas). Além disso, condições climáticas favoráveis como temperatura e umidade elevadas, contribuem para o desenvolvimento da mosca. O ciclo biológico completo de ovo à fase adulta dura em média de 10 a 15 dias (BRUCE, 1964; BRITO et al., 2005).

Importância econômica da mosca-dos-chifres

Em casos de infestações por mosca-dos-chifres, cada hospedeiro chega ter em média 5 mil moscas fazendo repastos sanguíneos frequentes (BRUCE, 1964; BRITO et al., 2005; DE FREITAS, 2024). O estresse causado pela alta infestação provoca uma liberação excessiva de cortisol na corrente sanguínea, que resulta em distúrbios fisiológicos nos animais. Eles se tornam mais susceptíveis a doenças infectocontagiosas e injúrias, o que contribui para redução de peso, para a queda da produção de leite e comprometimento da fertilidade (FRASER e RUSHEN, 1987).

As picadas extremamente dolorosas da mosca-dos-chifres, causam uma reação local, gerando inflamação e abrindo portas de entradas para patógenos de importância significativa no ramo da pecuária, como por exemplo, Anaplasma sp e Stephanofilaria sp, Clostridium septicum, Clostridium sordellii, Clostridium novyi tipo A, Clostridium chauvoei e Clostridium perfringens tipo A, entre outros. Os animais também ficam susceptíveis a miíases e berne (HONER e GOMES, 1990). É importante destacar que os ectoparasitas interferem na qualidade do couro, pois causam reações locais que o inviabilizam por inteiro ou em partes, tornando-o grosso, inflexível e com perfurações (GUGLIELMONE et al., 1999).

Controle

É interessante avaliar a infestação pela mosca-dos-chifres nos bovinos, através da mensuração do número de moscas presentes nos animais. Outro ponto importante é o efeito da estação do ano já que a concentração maior de mosca-dos-chifres ocorre em meses mais quentes e com menor precipitação de água (BRITO et al., 2005).

Um controle estratégico e que deve ser levado em consideração está relacionado a fase de desenvolvimento da mosca, quando o parasita está mais sensível e que necessita das fezes frescas do bovino. Diante disso, um método considerado eficiente é a destruição das massas fecais, que acarreta a interrupção do ciclo biológico da mosca. Como método biológico pode ser usado o besouro Digitonthophagus gazella (rola-bosta-africano), que tem função de destruir a massa fecal nas pastagens e é considerado predador das larvas de Haematobia irritans (HONER e GOMES, 1990).

Como controle estratégico químico, existem várias opções no mercado de diferentes classes terapêuticas. Dentre as várias opções destaca-se o Eprigold® da JA Saúde Animal, princípio ativo Eprinomectina, da classe das Avermectinas, pertencente ao grupo das lactonas macrocíclicas. Um antiparasitário de amplo espectro que possui a vantagem de apresentar baixa carência no leite, com resíduo apenas de 12 horas, sendo a única avermectina indicada para vacas em lactação. A carência para carne é de 6 dias.

Eprigold®, é indicado para tratamento das verminoses gastrintestinais (Trichostrongylus axei, Haemonchus placei, Cooperia punctata, Cooperia spatulata, Oesophagostomum radiatum), mosca-dos-chifres (Haematobia irritans), berne (larvas de Dermatobia hominis) e Estefanofilariose ou mais conhecida como Dermatite Nodular Ulcerativa (stephanofilaria sp) em bovinos. A via de aplicação é tópica pour on, na dose de 1 mL para cada 10 kg de peso corpóreo.

Para um protocolo mais assertivo, Eprigold (antiparasitário) pode ser utilizado em conjunto com um fortificante, como por exemplo o Catofós B12, que auxilia na recuperação dos animais parasitados. Estudos comprovam que esse medicamento atua na melhora dos índices produtivos e reprodutivos do rebanho. Catofós® tem como princípio ativo o Butafosfan (fósforo orgânico) e a Cianocobalamina (vitamina B12), sendo altamente eficaz na prevenção e no tratamento das doenças e estados carenciais dos animais.

O Butafosfan, presente em sua fórmula é um estimulante do metabolismo energético. Possui função antiestresse, por diminuir a concentração de cortisol (hormônio relacionado ao estresse) no sangue e evita que esse hormônio iniba a insulina responsável por transportar a glicose (fonte de energia no organismo) para dentro da célula. A Cianocobalamina (Vitamina B12), estimula o apetite, acelera as reações metabólicas e contribui para a produção de hemácias, sendo adjuvante no tratamento de anemias.

É possível concluir que, a mosca-dos-chifres é um parasita que acarreta sérios prejuízos à pecuária, sendo necessários produtos eficientes para o controle deste parasito. Outro ponto importante é interromper o ciclo biológico, com medidas de ação na fase larval, na massa fecal. Para mais informações sobre os produtos da JA Saúde Animal acesse o nosso site ou fale com um de nossos consultores técnicos.

Texto: Aline de Carvalho (Médica Veterinária)

Referências bibliográficas

BRITO, L. G.; BORJA, G. E. M.; OLIVEIRA, M. C. S.; NETTO, F. G. S. Mosca-dos-chifres: aspectos bio-ecológicos, importância econômica, interações parasito-hospedeiro e controle. Porto Velho – RO: Embrapa Rondônia, 1-15p., 2005. (Comunicado Técnico nº 302).

BRUCE, W. G. The history and biology of the horn fly, Haematobia irritans(Linnaeus); with comments of control. Tech. Bul. (North Carol. Agr. Exp. Stat. and USDA), v. 157, 1964.

DE FREITAS, M. D. B. Controle estratégico de endo e ectoparasitos em bovinos de corte na fase de recria. 2024.

FRASER, D.; RUSHEN, J. Aggressive behavior. Veterinary clinics of North America: food animal practice, v. 3, n. 2, p. 285-305, 1987.

GUGLIELMONE, A. A., GIMENO, E., IDIART, J., FISHER, W. F., VOLPOGNI, M. M., QUAINO, O., WARNKE, O. Skin lesions and cattle hide damage from Haematobia irritans infestations. Medical and veterinary entomology, v. 13, n. 3, p. 324-329, 1999.

HONER, M. R.; GOMES, A. O manejo integrado de mosca dos chifres, berne e carrapato em gado de corte. Campo Grande, MS: EMBRAPA-CNPGC, 1990., 1990.

ZANETI, E. A. de O. Impacto da mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) na pecuária leiteira: revisão bibliográfica. 2023.

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