Diarreias em leitões

            A criação de suínos é uma atividade ampla e de alta importância mundial, inclusive com crescente aumento no consumo de sua carne. A suinocultura do Brasil vem se destacando a cada ano, sendo atualmente o país ranqueado como o quarto maior exportador de carne suína do mundo (CARVALHO, 2017), no qual a região sul é a principal produtora. Este crescimento se deve a novas tecnologias, modificações genéticas, manejos nutricionais e sanidade (CARVALHO, 2017).

            A suinocultura no Brasil tem como uma de suas vantagens a grande disponibilidade de terras para o plantio de grãos, para posteriormente se transformarem em rações balanceadas, a serem fornecidas aos animais, o que permite rápido incremento de peso e rentabilidade diferenciada quando comparado a outras espécies de produção (NEVES et al., 2016).

            Um dos fatores que mais gera preocupação na suinocultura é a mortalidade dos leitões. Um dos objetivos dos produtores é conseguir o aumento significativo dos números dos leitões desmamados e reduzir o número de óbitos precoce dos mesmos (AZEVEDO, 2015). Uma das enfermidades que mais se destaca nos números de óbitos é a diarreia neonatal (OELKE, 2013).

            A síndrome diarreica pode estar relacionada com  falhas no manejo sanitário tais como: deficiência na desinfecção das salas e baias, ambientes quentes e úmidos, alterações  bruscas de temperatura, manejo nutricional incorreto, diminuição do consumo de água pelas matrizes, problemas no auxílio do parto, alimentos e água contaminados, qualidade baixa da matéria-prima etc (MELO, 2016).

            Acredita-se que leitões que apresentam diarreia pesam aproximadamente 400g a menos que leitões sadios no período de 30 dias de vida. Isso demonstra importância da prevenção e controle dessa enfermidade, já que essas diarreias frequentemente são causadas por microorganismos oportunistas, que se proliferam rapidamente no ambiente e nos animais (MORAES, 1993).

            Dentre as bactérias ligadas às causas das enterites, destacamos a Escherichia coli (BERTSCHINGER & FAIRBROTHER, 1999) e a Salmonella spp (SCHWARTZ, 1999). Além disso, alguns agentes etiológicos têm caráter de ser altamente contagioso para os humanos, tornando-se assim um grande risco para a saúde pública (MCORIST & GEBHART, 1999). Para diagnosticar os enteropatógenos, o teste de escolha é a técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), que utiliza conteúdo fecal dos animais acometidos (JONES, 1993).

 

            De acordo com HIRSH & ZEE (1999), a bactéria Escherichia coli apresenta grande sensibilidade a Gentamicina, Amicacina, Trimetoprim, Sulfa + Trimetoprim e Ceftiofur. Já para cepas de Salmonella spp, foi apresentado alta sensibilidade para Cloranfenicol, Gentamicina e Sufa+Trimetoprin (MENIN et al., 2008).

            Para o tratamento da diarreia causada por E. coli, a JA Saúde Animal sugere os seguintes protocolos de tratamento: a primeira opção é o DICLOTRIL® , medicamento à base de Cloridrato de Enrofloxacina associado a um potente anti-inflamatório, o Diclofenaco de Sódio, que além de cessar a infecção, também irá promover um conforto e um bem estar para os animais tratados. A segunda opção de tratamento é o VETSULFA, Sulfametoxazol e Trimetoprim associado ao Diclofenaco de Sódio, que irá combater a infecção e controlar os sintomas por 24 horas. Para a diarreia acometida por Salmonella spp, o VETFLOR® seria a melhor opção, pois é à base de Florfenicol, um antimicrobiano de amplo espectro de ação, que apresenta maior eficácia para esse agente em específico.

Autores:

M.V. Guilherme Luiz Gomes da Silva

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

M.V. Eduardo de Castro Rezende

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu

Médico Veterinário e Fundador da JA Saúde Animal

 

Referências bibliográficas:

BERTSCHINGER, H.U.; FAIRBROTHER, J.M. Escherichia coli Infections. In: STRAW, B.E. et al. (Eds.). Diseases of Swine. 8.ed. Ames, Iowa: Iowa State University, Cap.32, p.431-457. 1999.

CARVALHO, M. R. PRINCIPAIS CAUSAS DE MORTALIDADE DE LEITÕES PÓS-NASCIMENTO DE ACORDO COM A ORDEM DE PARIÇÃO DA FÊMEA SUÍNA. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA, v. 4, p. 9–15, 2017.

HIRSH, D.C. & ZEE, Y.C. Veterinary Microbiology. Blackwell Science, Malden, p.69-74. 1999.

JONES, G.F. et al. Comparison of techniques for diagnosis of proliferative enteritis of swine. American Journal of Veterinary Research, Schaumburg, v.54, p.1980-1985, 1993.

MCORIST. S.; GEBHART, C.J. Porcine proliferative enteropathies. In: STRAW, B.E. et al. (Eds.). Diseases of Swine. 8.ed. Ames, Iowa: Iowa State University, Cap.38, p.521-534. 1999.

MELO, M.; APCS; Diarreia em leitões. Disponível em: https://www.suinoculturaindustrial.com.br/imprensa/diarreia-em-leitoes/20091104- 170101-d679, 2016, acesso em 10 de set de 2020.

MORES, N. Suinocultura dinâmica. Fatores que limitam a produção de leitões na maternidade, 1993, acesso em 10 de set de 2020.

NEVES, M.F.; LIMA JUNIOR, J.C.; SÁ, N.C.; ALVES PINTO, M.J.A.; KALAKI, R.B.; GERBASI, T.; GALLI, R.M.; VRIESEKOOP, F. Mapeamento da Suinocultura Brasileira. ABCS. Capítulo 2, 1º edição, páginas 43 a 46, 2016.

OELKE, C. A., Diarreia de leitões na maternidade, disponível em: https://gepsaa.wordpress.com/2013/02/28/diarreia-de-leitoes-na-maternidade. Publicado em fevereiro de 2013, acesso em 10 de set de 2020.

SCHWARTZ, K.J. Salmonellosis. In: STRAW, B.E. et al. (Eds.). Diseases of swine. 8.ed. Ames, Iowa: Iowa State University, Cap.39, p.535-551. 1999.

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