Mesmo causando desconforto ao animal, as afecções gástricas em equinos geralmente são assintomáticas e, quando apresentam sinais clínicos, estes são inespecíficos, o que dificulta muito o diagnóstico clínico da enfermidade. Em decorrência a essa dificuldade, o diagnóstico dessas enfermidades gástricas deve ser feito por exames de endoscopia ou, em último caso, através da observação das lesões durante a necrópsia (Bricks e Silva, 2005).

As enfermidades gástricas em geral são decorrentes de um desequilíbrio entre os fatores considerados agressivos e os fatores protetores. Os fatores agressivos são aqueles que, em situação não fisiológica, podem lesionar a mucosa gástrica, como o ácido gástrico e a pepsina. Já os fatores protetores são aqueles que agem impedindo que as substâncias ácidas prejudiquem o estômago, dentre eles o muco e a barreira de bicarbonato. Quando os fatores agressivos sobrepõem os fatores protetores, temos o surgimento da gastrite, que em casos mais avançados pode evoluir para úlcera gástrica (Andrews et al., 2005; Morrissey; Bellenger; Baird, 2008; Nadeau; Andrews, 2009).

Existem diversos fatores considerados de risco para o surgimento desse tipo de afecção, dentre eles podemos destacar: dieta inadequada, estresse, atividade física, jejum prolongado, determinados tipos de bactérias (Helicobacter) e parasitas (Gaterophilus spp.) e administração de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) (LE JEUNE et al., 2009; LUTHERSSON et al., 2009; NADEAU; ANDREWS, 2009; VIDELA; ANDREWS, 2009).

A úlcera gástrica é uma consequência grave da gastrite e, muito além de uma inflamação da parede gástrica, as úlceras se baseiam em lesões profundas, que ocorrem devido a destruição de elementos celulares. Assim como nas gastrites, essas lesões mais profundas podem ser assintomáticas e possuem alta morbidade nos equinos, atingindo cerca da metade da população e até 93% nos animais da raça Puro Sangue Inglês (PSI) em treinamento de corrida (Andrews et al., 1999; Murray et al., 1996; Murray, 1997).

Como vimos anteriormente, os AINEs podem causar gastrite e até úlceras gástricas, isso porque podem interferir negativamente nas funções protetivas do estômago. Existem medicamentos dessa classe que bloqueiam indesejadamente as enzimas chamadas de ciclooxigenase 1 (COX-1), que são responsáveis pela produção de muco protetivo e inibição de ácido gástrico, interferindo assim nas defesas estomacais. Entretanto, há opções de anti-inflamatórios que atuam seletivamente nas enzimas ciclooxigenase 2 (COX-2), responsáveis apenas pelos sinais inflamatórios. Formulações que usam princípios ativos que interferem seletivamente na COX-2 são opções mais seguras, principalmente em animais que já apresentam alguma gastropatia importante (Bricks e Silva, 2005). Um medicamento com essa característica é o Prador, anti-inflamatório altamente seguro quanto as lesões gastrintestinais. Por ser à base de Meloxicam e Dipirona, dois princípios ativos seletivos para COX-2 e COX-3, Prador alia alta eficácia anti-inflamatória, analgésica e antipirética, com a segurança para utilização em enfermidades que exigem tratamento mais prolongado.

Outro fator que pode desencadear gastroenterites são os parasitas, com destaque às miíases internas causadas pelas larvas da mosca Gasterophilus. Essas larvas, depois de ingeridas, se aderem a parede gástrica, causando lesões e desconforto aos animais. A solução para evitar esse problema é o controle externo do parasita e principalmente o combate da infestação interna, através de vermífugos orais eficazes (Cogley & Cogley, 1999; Nadalian e Seifi, 2009).

A sugestão da J.A Saúde Animal para o combate do Gasterophilus, dentre outros parasitas internos, é a utilização do Equijet, vermífugo oral à base de Ivermectina e Pamoato de Pirantel, que além de sua alta eficácia contra esse parasita gástrico, possui baixa hidrossolubilidade, garantindo ação em praticamente todo trato gastrintestinal.

Autores:

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu – Médico Veterinário e Fundador da J.A Saúde Animal

M.V. Eduardo Henrique de Castro Rezende – J.A Saúde Animal

 

Referencias:

Andrews, F. M. & Nadeau, J. A. (1999). Clinical syndromes of gastric ulceration in foals and mature horses. Equine Veterinary Journal (Supplement 29); 30 – 33.

ANDREWS, F. M. et al. Gastric ulcers in horses. Journal of Animal Science, v. 83, n. 13, Suppl. E8-E21, 2005.

Bricks LF, Silva CAA. 2005. Toxicidade dos antiinflamatóriosnão-hormonais. Pediatria. 27:181-193Booth NH. 1992. Analgésicos não- narcóticos. In: BOOTH NH, Mcdonald LE. Farmacologia e Terapêutica em Veterinária, 6 ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, Cap.16: 262-288.

Cogley, T. P. & Cogley, M. C. (1999). Inter-relationship between Gasterophilus larvae and the gastric and duodenal wall with special reference to penetration. Veterinary Parasitology, 86; 127 – 142.

Dezfouli, M. R. M., Hassanpour, A.; Nadalian, M. G. & Seifi, H. A. (2009). Gastric ulceration in persian arab horses in Iran: frequency, haematology and biochemistry. Iranian Journal of Veterinary Research, 10; 146 – 151.

LE JEUNE, S. S. et al. Prevalence of gastric ulcers in Thoroughbred broodmares in pasture: a preliminary report. Equine Veterinary Journal, v. 181, n. 3, p. 251-255, 2009. doi:10.1016/j.tvjl.2008.03.020.

MORRISSEY, N. K.; BELLENGER, C. R.; BAIRD, A. W. Bradykinin stimulates prostaglandin E2 production and cyclooxygenase activity in equine nonglandular and glandular gastric mucosa in vitro. Equine Veterinary Journal, v. 40, n. 4, p. 332- 336, 2008. doi:10.2746/042516408X293556.

Murray, M. J. & Eichorn, E. S. (1996). Effects of intermittent feed deprivation, intermittent feed deprivation with ranitidine administration and stall confinement with ad libitum access to hay on gastric ulceration in horses. American Journal of Veterinary Research; 57; 1599 – 1603.

Murray, M. J.; Haven, M. L.; Eichorn, E. S.; Zhang, D. H.; Eagleson, J. & Hickey, G. J. (1997). Effects of omeprazole on healing of naturally-occurring gastric ulcers in Thoroughbred racehorses. Equine Veterinary Journal, 29; 425 – 429.

NADEAU, J. A.; ANDREWS, F. M. Equine gastric ulcer syndrome: the continuing conundrum. Equine Veterinary Journal, v. 41, n. 7, p. 611-615, 2009. doi:10.2746/ 042516409X468056.

VIDELA, R.; ANDREWS, F. M. New perspectives in equine gastric ulcer syndrome. Veterinary Clinics of North America: Equine Practice, v. 25, n. 2, p. 283-301, 2009. doi:10.1016/j.cveq.2009.04.013.

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