Sabemos que o maior desafio em compost barn é controlar a umidade da cama, para proporcionar uma superfície seca e confortável aos animais.
Junto com uma umidade da cama muito elevada (>65%) vem alguns problemas:
Por estes motivos, o manejo da cama é muito importante, visto a sua capacidade de influenciar a limpeza das vacas (LESO et al., 2013).
A umidade da cama é um preditor da higiene dos animais alojados em compost barn, o que explica a correlação moderada (r = 0,40) entre a umidade da cama e o escore de sujidade dos animais (ECKELKAMP et al., 2016; NOGARA et al., 2021).
Da mesma forma, a sujidade dos animais correlaciona-se positivamente com a CCS do leite (SCHREINER & RUEGG, 2002). Esta variável é grande importância na atividade leiteira, tanto para o produtor (através da diminuição na produção de sólidos, redução na produção de leite e consequentemente na bonificação recebida do laticínio) e para a indústria láctea (através do rendimento de derivados e tempo de prateleira).
Para auxiliar a verificar a limpeza dos animais, há diversas metodologias citadas na literatura, como:
1. A metodologia de (SCHREINER; RUEGG, 2002) leva em consideração a aderência de materiais e dejetos nos tetos e úbere das vacas. Assim, o escore de sujidade é descrito na escala de 1 a 4, onde em 1 está completamente limpo, 2 pouco sujo, 3 sujidade mediana e em 4 apresenta alta concentração de sujidade e bem aderida.
2. A metodologia de Canadian Bovine Mastitis and Milk Quality Research Network considera a sujidade das pernas, flanco, úbere e tetos dos animais. A escala utilizada foi de 1 a 4, onde 1 é considerado limpo e 4 muito sujo. A limpeza da parte traseira e laterais do úbere indica a qualidade da cama, bem como sua dimensão. Sempre é indicado verificar a necessidade de reposição de cama e consistência das fezes.
3. A metodologia de FAYE & BARNOUIN (1985), chamada de índice de limpeza individual, faz a caracterização através de pontuações (0 a 2) em cinco áreas do corpo do animal. Essas áreas, também chamadas de zonas, são:
As pontuações são descritas por: 0 (livre de sujidade); 0,5 (presença de algumas manchas); 1 (manchas extensas, porém compreendem menos que 50% da área); 1,5 (as manchas apresentam-se em mais de 50% da superfície); 2 (a área está completamente suja).
Após as considerações deve-se proceder a soma essas notas dadas conforme as zonas descritas. A pontuação irá variar de 0 a 8 (limpo ou muito sujo). Pontuações de 0,5 são consideradas aceitáveis.
A manutenção da limpeza dos animais está associada ao manejo e a qualidade da cama, sendo a umidade da cama o fator de maior influência. As estações do ano também podem influenciar nesta variável, visto que durante o inverno há uma maior dificuldade de manter o processo de compostagem, acarretando em altos escores de sujidade.
Dessa forma, é de extrema importância priorizar o manejo de cama, realizando o revolvimento da cama de duas a três vezes ao dia, durante o horário da ordenha. Utilizar materiais para a reposição de cama de boa capacidade absortiva, como serragem e maravalha, sempre que observar a aderência da mesma na pele e pelos dos animais, juntamente com a verificação da temperatura da cama, para verificar se o processo de compostagem está ocorrendo de forma desejável.
Também, a densidade animal deve ser respeitada conforme a dimensão do galpão, para que as vacas tenham espaço suficiente para se movimentar dentro do barracão, mas também que a deposição de dejetos não seja superior que a capacidade de secagem da cama. A ventilação no sistema é outra ferramenta essencial, pois além de auxiliar na troca de ar dentro do galpão, favorecendo o bem-estar animal através da melhor sensação térmica, os ventiladores também auxiliam na retirada da umidade e, consequentemente, a secagem da cama.
Com os resultados destas pesquisas mencionadas e as demais encontradas na literatura, podemos dizer que os animais em compost barn obtêm um bom nível de limpeza.
Essa limpeza das vacas é essencial para minimizar o risco de mastite. Pois a cada uma unidade aumentada no escore de sujidade dos animais a chance de um novo caso de mastite aumenta em 32% (FÁVERO et al., 2015). E já é conhecido que a mastite é a doença mais importante dentro da atividade leiteira, devido aos seus prejuízos, que vão desde a secagem de tetos, descarte de vacas, queda no rendimento da produção, aumento dos custos com medicamentos e em casos mais severos levando a morte do animal.
Fonte: MilkPoint.