mastite bovina é a principal doença que acomete vacas leiteiras, e Streptococcus dysgalactiae é uma das principais causas dessa enfermidade.

Este microrganismo é uma causa frequente de mastite clínica em vacas, sendo responsável por prejuízos econômicos consideráveis nos rebanhos leiteiros. Apesar disso, pouco se sabe sobre o comportamento epidemiológico de Strep. dysgalactiae. Aliás, Strep. dysgalactiae é contagioso ou ambiental?

Diante deste questionamento, um estudo recente avaliou molecularmente o perfil epidemiológico de Strep. dysgalactiae identificados de casos clínicos de mastite em 16 rebanhos leiteiros da Alemanha.

Baseado no perfil molecular, os pesquisadores observaram que a transmissão de Strep. dysgalactiae ocorreu tanto pela forma contagiosa quanto ambiental.

A identificação de uma grande variedade de cepas dentro de um mesmo rebanho (e.g., rebanho F e G; Figura 1), sugerem o perfil de transmissão ambiental. Por outro lado, a identificação das mesmas cepas (e.g., rebanhos A, B e C), obtidas de vacas diferentes no mesmo rebanho sugerem transmissão contagiosa (vaca-vaca ou fonte comum) de Strep. dysgalactiae.

Alguns fatores como a capacidade de sobreviver no interior das células epiteliais mamárias sem danificá-las, persistência na glândula mamária, e capacidade de transmissão durante a ordenha, podem conferir ao Strep. dysgalactiae a característica de transmissão contagiosa.

Figura 1. Número de isolados e de cepas de Strep. dysgalactiae de acordo com os 16 rebanhos leiteiros avaliados.

Vale destacar que o perfil de transmissão de Strep. dysgalactiae é específico de cada rebanho, ou seja, a transmissão ambiental ou contagiosa vai variar de um rebanho para o outro.

Dessa forma, conhecer do perfil de transmissão de Strep. dysgalactiae nos rebanhos leiteiros pode auxiliar na adoção e direcionamento de medidas específicas para controle da mastite, principalmente pelo monitoramento de novas infecções (clínicas e subclínicas).

Em rebanhos com alta prevalência de mastite causada por Strep. dysgalactiae transmitido pela via contagiosa, estratégias direcionadas para as vacas infectadas e procedimentos de ordenha podem ser indicadas.

Já, em rebanhos com alto desafio de transmissão ambiental, uma melhoria no manejo e higiene do ambiente, assim como excelência na preparação da vaca antes da ordenha (pré-dipping) são as medidas mais recomendadas. 

Referências
WENT, N.; KRÖMBER, V. Animals, v. 10, n. 11, p. 1-7, 2020.

Fonte: MilkPoint.

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