Olá Pessoal, tudo certo? Já que vamos falar de inverno, está frio por aí? Já está abaixo de 15ºC? Brincadeiras a parte, vamos para o que interessa: as pastagens de inverno. Mas, antes, preciso explicar o que nossas forrageiras tropicais precisam, para fazer um comparativo. Vamos lá então?

Nossas forrageiras tropicais (ex.: Tifton, Tanzânia, Mombaça, Braquiárias etc.) necessitam, além dos nutrientes no solo, de água, luz e temperatura ideais para seu crescimento. Estamos falando de, no mínimo, uma temperatura de 15ºC para o desenvolvimento das culturas de verão, que são, em média, 2,5 vezes mais produtivas que as forrageiras de inverno.

As forrageiras de inverno, por outro lado, necessitam de menos luz e temperaturas mais amenas, sendo consideradas, para crescimento ótimo, temperaturas por volta de 15 a 20 ºC.

Um ponto positivo das forrageiras de inverno é o seu valor nutritivo, elas são aproximadamente 1,5 vezes mais nutritivas. Podemos citar, em pastejo, que nossos capins tropicais têm em média 12% de proteína bruta (PB) no verão e, no inverno, ao redor de 6%. Para as de inverno, podemos admitir que atingem por volta de 18 a 20% de PB, ou até mais, dependendo do manejo e escolha da espécie. Se citarmos as leguminosas, podem chegar até 25% de PB.

Outro ponto interessante é quanto a produção de leite. Se estes capins de inverno, como a aveia e o azevém por exemplo, apresentam maior teor proteico, e por si só, maior qualidade, com certeza os animais que ingerirem estas forrageiras produzirão mais leite. Porém, atente-se: embora de melhor qualidade, estas forrageiras produzem menos por área, ou seja, a produção de leite por área é menor.

Então vamos a pergunta que interessa: Forrageiras de inverno só servem para o Sul do país? A resposta é muito simples: não!

Pessoal, em todo lugar que, no inverno, a temperatura é mais amena (15 a 20ºC) e temos níveis de luz satisfatórios, a forrageira de inverno vai muito bem. Quero dizer, então, que mesmo no estado de São Paulo podemos plantar Aveia no inverno? Sim!

Todos já sabem da minha origem, que é a cidade de Botucatu/SP, não muito longe da cidade de São Carlos/SP. Hoje, resido em Presidente Prudente/SP e, aqui, como o clima é muito quente, embora muito perto da divisa com o estado do Paraná, não se tem as condições adequadas de clima no inverno – e muito menos no verão – para o plantio de uma forrageira de inverno. Então, não há motivos para plantarmos aveia aqui, por exemplo.

Utilizando como exemplo as cidades de Botucatu e São Carlos, conseguimos realizar o pastejo em áreas solteiras ou em sobressemeadura durante o inverno em si, ou entre os meses de abril a agosto. Isso é possível, dentre outras coisas, pelo fato de que nestas duas cidades as temperaturas médias de inverno estão entre 15 e 20ºC, ou seja, favoráveis ao crescimento de forrageiras de inverno.

Neste caso, uma boa opção para os sistemas de pastejo rotacionado com os capins do gênero Panicum  (como o Tanzânia e Mombaça, por exemplo) seria a utilização da sobressemeadura. Os produtores rurais poderiam, na mesma área de pastejo com o capim de verão, rebaixarem o capim por meio do pastejo ou até mesmo roçadeira, e sobressemear Aveia e Azevém com o molhamento e pisoteio dos animais dentro do próprio piquete. Sendo assim, depois de aproximadamente 30 a 40 dias, o produtor terá as forrageiras de inverno para o pastejo juntamente com o Panicum.

Desta forma, como o capim tropical crescerá menos, sobressairá os capins de inverno para o pastejo e, por fim, o produtor ganha em manter parte dos animais na pastagem fazendo uso de um capim mais nutritivo, mas, menos produtivo.

Somente como exemplo: se no verão temos por volta de 12 vacas por hectare, com o uso da aveia e azevém sobressemeadas a lotação atingiria por volta de 6 vacas por hectare.

Mas, um momento, uma dúvida: o que fazer com o restante dos animais? Suplemente todo mundo, com uma quantidade menor por animal, já que estariam pastejando também, ou separe os animais mais produtivos, deixando eles comerem uma forragem de melhor qualidade e suplemente no cocho os demais. Fica a sua escolha.

Mas e quanto ao plantio de uma forrageira de inverno de forma solteira? Pode ser feito também, se houver condições climáticas.

Pessoal, não tem segredo. Tudo depende. Depende do manejo, depende da adubação, depende da temperatura, da chuva, do clima em geral. Depende da tecnificação e dos seus animais. Depende do seu poder aquisitivo. Depende de muita coisa.

O que é mais necessário dizer é que, se temos condições climáticas, podemos plantar e podemos nos beneficiar de uma forrageira de inverno. Ou seja, outras cidades ou regiões do Brasil com o clima parecido com o do Sul também podem se beneficiar desta possibilidade. Pensem nisso.

 

Fonte: MilkPoint.

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