Em bovinos, a leptospirose nem sempre se manifesta de forma aguda. Em muitos casos, a bactéria causadora coloniza o trato genital dos animais e provoca uma infecção crônica e silenciosa, conhecida como Leptospirose Genital Bovina (LGB), responsável por prejudicar a fertilidade e por provocar importantes prejuízos econômicos ao pecuarista.
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Confira mais detalhes a seguir!
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A leptospirose é uma enfermidade de distribuição mundial e caráter endêmico no Brasil, causada por bactérias do gênero Leptospira. Trata-se de uma importante zoonose, ou seja, uma doença capaz de ser transmitida dos animais para os seres humanos, o que amplia sua relevância tanto para a saúde animal quanto para a saúde pública (RIET-CORREA et al., 2007).
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Na bovinocultura leiteira, a doença está associada a expressivos prejuízos econômicos, principalmente em razão dos problemas reprodutivos que ocasiona. Infertilidade, abortamentos, natimortos, reabsorção fetal e o nascimento de bezerros debilitados são algumas das consequências observadas em rebanhos acometidos (FAINE, 1982; ELLIS, 1985 apud GALVÃO et al., 2024). Além disso, a redução da produtividade e os custos relacionados ao diagnóstico e ao tratamento reforçam a importância do conhecimento sobre a enfermidade e da adoção de medidas preventivas eficazes.
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Como ocorre a transmissão?
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Embora a participação dos roedores na epidemiologia da leptospirose seja amplamente reconhecida, nos bovinos os próprios animais infectados constituem uma importante fonte de disseminação da doença. Após a infecção, eles podem eliminar leptospiras pela urina por longos períodos, condição denominada leptospirúria, favorecendo a contaminação do ambiente e a transmissão para outros animais.
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É importante destacar que a principal via de infecção ocorre pelo contato direto da pele ou das mucosas com urina e secreções genitais de animais infectados. A transmissão também pode ocorrer durante a cópula, pela inseminação artificial com sêmen contaminado e, possivelmente, pela transferência de embriões contaminados (AYMÉE et al., 2023). Além disso, a incidência da doença tende a aumentar em períodos chuvosos, uma vez que as leptospiras apresentam maior sobrevivência em ambientes quentes e úmidos e são sensíveis à ação direta da luz solar (RIET-CORREA et al., 2007).
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Quais são os sinais clínicos?
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Por mais que a leptospirose normalmente provoque sinais clínicos graves, em bovinos essa manifestação vai além do trato urinário, incluindo problemas reprodutivos importantes. Devido à sua peculiaridade, esse tipo de apresentação da doença recebeu o nome de Leptospirose Genital Bovina (LGB) (AYMÉE et al., 2023). Nessa condição, as leptospiras se estabelecem e persistem no trato genital dos animais, colonizando principalmente o útero e os ovidutos das fêmeas. Nessa forma, os principais sinais clínicos incluem a repetição de estro, queda na fertilidade ou até mesmo infertilidade e abortamentos (LOUREIRO; LILENBAUM, 2020; AYMÉE et al., 2021 apud AYMÉE et al., 2023).
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Como controlar e prevenir?
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O controle da leptospirose deve ser baseado em um conjunto de medidas que visam interromper a circulação da bactéria no ambiente e reduzir a exposição dos animais ao agente. Entre as estratégias recomendadas estão a identificação e o tratamento dos animais infectados, bem como o controle de roedores que atuam como importantes reservatórios da doença (FAINE, 1982 apud FIGUEIREDO, 2014). Também é fundamental evitar que os bovinos tenham acesso a áreas alagadas potencialmente contaminadas, além disso, manter boas práticas de higiene e manejo nas instalações.
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Outro pilar indispensável para a prevenção é a vacinação. A implementação de programas vacinais adequados contribui significativamente para a redução das perdas causadas pela enfermidade, sendo recomendada a imunização dos bezerros entre quatro e seis meses de idade, seguida das doses de reforço previstas no protocolo adotado pela propriedade.
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Diagnóstico e tratamento
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A suspeita de leptospirose pode ser levantada a partir da análise de fatores epidemiológicos, como a presença excessiva de roedores na propriedade, a ocorrência da doença em épocas mais chuvosas e a redução do desempenho produtivo do rebanho, associadas à observação dos sinais clínicos (GUIMARÃES et al., 1982). Entretanto, como essas manifestações podem ser semelhantes às de outras enfermidades, o diagnóstico definitivo não deve se basear exclusivamente na avaliação clínica.
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A confirmação da doença é realizada por meio de exames laboratoriais. O teste de soroaglutinação microscópica (SAM) é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o método de referência para o diagnóstico da leptospirose em humanos e animais (RIET-CORREA et al., 2007). Para sua realização, deve-se coletar amostras de soro sanguíneo, obtidas a partir de sangue colhido sem anticoagulante. Em casos de suspeita clínica, especialmente em animais com infecção recente, recomenda-se a coleta de duas amostras pareadas, com intervalo de 2 a 4 semanas, para demonstração de soroconversão ou aumento de, pelo menos, quatro vezes no título de anticorpos. Contudo, animais previamente vacinados podem apresentar resultados falso-positivos. Outro teste possível e inclusive indicado para detecção da Leptospirose Genital Bovina, é o da Reação de Polimerase em Cadeia (PCR), que pode ser feito com amostras genitais como o muco cérvico-vaginal, capaz de mostrar a presença das leptospiras, caso haja a colonização do útero pelas bactérias (LOUREIRO; LILENBAUM, 2020 apud AYMÉE et al., 2023).
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Quanto ao tratamento, o uso de antimicrobianos é fundamental para eliminar a infecção e reduzir a disseminação da bactéria no rebanho. Entre os princípios ativos disponíveis, a Diidroestreptomicina é considerada alternativa terapêutica de eleição para o controle da leptospirose bovina (JAMAS et al., 2020). Nesse contexto, a JA Saúde Animal disponibiliza em seu portfólio o Prontostrep®, medicamento à base desse princípio ativo, para o tratamento da doença tanto em bovinos quanto em equinos causada por diversos sorovares. Entre seus diferenciais está a apresentação pronta para uso, que proporciona maior praticidade na aplicação e facilita o manejo dos animais. O produto deve ser administrado por via intramuscular, na dose de 1 mL para cada 10 kg de peso vivo (em dose única), correspondente a 30 mg/kg, conforme preconizado na literatura. Todavia, em casos confirmados ou com suspeita de Leptospirose Genital Bovina (LGB), especialmente em animais portadores crônicos, recomenda-se três aplicações a cada 24 horas, visando aumentar a eficácia do tratamento e a eliminação da bactéria do trato genital.
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Proteger o rebanho contra a leptospirose é investir em sanidade, produtividade e rentabilidade. Se você deseja saber mais sobre a enfermidade ou conhecer nossas soluções para o seu controle, como o Prontostrep®, fale com nossa equipe técnica. Estamos prontos para te auxiliar na adoção das melhores estratégias de prevenção e tratamento para a sua propriedade.
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Juliana Ferreira Melo
Médica Veterinária – JA Saúde Animal
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Referências
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AYMÉE, Luiza; SOUZA, Guilherme Nunes de; PEDROSA, Juliana de Souza; LILENBAUM, Walter. Leptospirose Genital Bovina: uma síndrome silenciosa e com importante impacto reprodutivo. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2023. 17 p. (Documentos, n. 275). Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1153477/1/Leptospirose-Genital-Bovina-uma-sindrome-silenciosa.pdf. Acesso em: 30 jun. 2026.
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FIGUEIREDO, Aline de Oliveira. Aspectos epidemiológicos da leptospirose bovina em propriedades rurais do município de Terenos, Mato Grosso do Sul. 2014. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2014. Disponível em: Repositório UFMS. Acesso em: 23 jun. 2026
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GALVÃO, A.; QUEIROZ, T.; CAMARGO, L.; TRINDADE, M.; RIBEIRO, G.; ALVARENGA, G.; FERNANDES, S. S. Leptospirose em bovino leiteiro. Revista Eletrônica do Curso de Medicina Veterinária, Centro Universitário de Barra Mansa, Barra Mansa, v. 1, n. 1, p. 62-71, dez. 2024.
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GUIMARÃES, M. C.; CÔRTES, J.; VASCONCELLOS, S. A. & ITO, F. H. 1982. Epidemiologia e controle da leptospirose bovina. Importância do portador renal e do seu controle terapêutico. Comunicações Científicas da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de SãoPaulo,6/7, 1-4.
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JAMAS, L. T.; BARCELLOS, R. R.; MENOZZI, B. D.; LANGONI, H. Leptospirose bovina. Veterinária e Zootecnia, v. 27, p. 1-19, 2020.
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REVISTA LEITE INTEGRAL. Leptospirose bovina: o que é e como prevenir essa doença. 2022. Disponível em: Revista Leite Integral. Acesso em: 22 jun. 2026.
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RIET-CORREA et al. Doenças de ruminantes e eqüinos. 3ªed. São Paulo: Editora Varela. 2007. 532p.
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