Mastites: classificação, prevenção e controle  

Clínica ou subclínica, ambiental ou contagiosa: entenda as diferentes manifestações da mastite, os métodos de diagnóstico e as principais estratégias de controle no rebanho leiteiro.  

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Juliana Ferreira Melo 
Médica Veterinária – JA Saúde Animal

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A mastite consiste numa inflamação da glândula mamária capaz de provocar alterações físicas, químicas e organolépticas no leite, além de mudanças no tecido glandular (LADEIRA, 2007). Conforme levantamentos, a doença atinge aproximadamente 20 a 38% do rebanho no Brasil, o que provoca uma perda de 12 a 15% da produção leiteira, reforçando a sua importância (MAIS LEITE, 2024 apud MESQUITA et al., 2024). A mastite pode ser classificada de acordo com sua manifestação clínica (mastite clínica ou mastite subclínica) e ou conforme sua origem (mastite ambiental ou mastite contagiosa).  

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Mastite clínica  

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A mastite clínica é aquela em que os sinais inflamatórios e as alterações no leite são visíveis. O úbere apresenta sinais clássicos dessa inflamação: inchaço, vermelhidão e aumento de temperatura, o que pode prejudicar a sua função. E o leite apresenta alterações como aspecto aquoso, presença de flocos e coágulos, além disso, pode haver queda na sua produtividade (CHENG; HAN, 2020).

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Mastite subclínica 

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Em contrapartida, a mastite subclínica age de maneira silenciosa, não havendo alterações visíveis a olho nu, ou seja, o úbere não apresenta sinais de inflamação e o leite produzido segue com o aspecto aparentemente normal. Contudo, ainda pode haver queda na produção leiteira. A detecção desse tipo de mastite só é possível através de testes, que serão mencionados adiante (BALDASSI et al., 1991).  

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Mastite ambiental  

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De acordo com o agente etiológico, no caso da mastite ambiental, a transmissão ocorre por patógenos que estão no ambiente, geralmente nos intervalos das ordenhas ou nos períodos de secagem. Esse tipo de mastite comumente se apresenta de forma clínica com sinais aparentes na ordenha, como por exemplo a presença de secreção purulenta de coloração amarelada, grumos ou até mesmo sangue (PRESTES et al., 2003 apud SZIMANSKI; LORENÇATTO; GUERIOS, 2025). Os principais patógenos responsáveis pela mastite ambiental são: Escherichia coli e Klebsiella (gram-negativas) e Streptococcus uberis e Streptococcus dysgalactiae (gram-positivas) (OLIVEIRA; DUTRA, 2017).  

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Mastite contagiosa  

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Já a mastite contagiosa é causada por microrganismos que estão presentes no corpo do animal, sendo transmitida de uma vaca para outra ou durante a ordenha através de equipamentos ou mãos do ordenhador. Entre os principais agentes causadores da mastite contagiosa estão Streptococcus agalactiae e Staphylococcus aureus (SIMÕES; OLIVEIRA, 2012 apud MESQUITA et al., 2024). Esse tipo geralmente ocorre de forma subclínica, com episódios intervalados. Além disso, é possível perceber um aumento da contagem de células somáticas no leite do tanque (SANTOS; TOMAZI, 2025).

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Como prevenir e detectar a mastite no rebanho?  

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De forma geral para a prevenção da mastite alguns pontos são fundamentais como por exemplo a desinfecção dos tetos antes da ordenha (pré-dipping) para eliminar as bactérias ambientais e após a ordenha (pós-dipping), para combater as bactérias contagiosas, transmitidas entre as vacas pelas mãos do ordenhador ou pela ordenhadeira. Outras medidas que podem ser aplicadas são: fazer o uso correto e a manutenção periódica dos equipamentos de ordenha, sendo ideal que as teteiras sejam trocadas a cada seis meses, além da higienização constante de todo o equipamento de ordenha. Alimentar os animais após a ordenha também é uma maneira de prevenir a mastite afinal, isso impede que as vacas se deitem ainda com os esfíncteres abertos e que haja uma contaminação (MENDONÇA et al., 2012). 

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Outra forma é diagnosticar e monitorar sempre os casos subclínicos e clínicos com o auxílio dos testes California Mastitis Test (CMT) e caneca de fundo preto ou caneca telada. O CMT é uma ótima ferramenta para identificar os casos de infecções subclínicas e a partir de seu resultado as vacas sadias e mais jovens devem passar pela ordenha primeiro com o objetivo de evitar a disseminação da doença, formando a chamada “linha de ordenha”. Já o teste da caneca de fundo preto ou telada deve ser feito diariamente em todas as vacas no momento da ordenha, depositando no recipiente os três primeiros jatos de leite de cada teto e observando em seguida se há presença de grumos no leite. É importante ressaltar que vacas que apresentem alterações no leite devem ser separadas e tratadas com a terapia antimicrobiana (MENDONÇA et al., 2012).  

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Tratamento das mastites  

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O tratamento da mastite deve ser prescrito de acordo com a gravidade do caso e o agente etiológico envolvido. Por exemplo, casos de mastite contagiosa causados por Staphylococcus aureus, que são de difícil tratamento durante a fase de lactação e baixa taxa de cura, pedem uma terapia mais estendida. Ela pode ser feita utilizando o Cetofur, antimicrobiano eficaz associado a um anti-inflamatório não esteroidal, o cetoprofeno, na dosagem de 20 mL a cada 24 horas, durante 9 dias, pela via intramuscular. Outra opção seria o Diclotril, antimicrobiano de amplo espectro com ação anti-inflamatória, analgésica e antitérmica composto por enrofloxacina e diclofenaco de sódio, que além de auxiliar no controle da doença, promove maior conforto e bem-estar ao animal. Juntamente com a terapia parenteral, é indicado o tratamento local, sendo o Mastite Clínica VL uma ótima escolha, também um antimicrobiano, só que composto por amoxicilina, clavulanato de potássio e predinisolona, de amplo espectro. Uma seringa por teto após cada ordenha, durante sete dias é o ideal.  

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No caso de mastites ambientais provocadas por Escherichia coli deve ser aplicado um protocolo de emergência grau III por conta da maior gravidade, sendo composto por Gentopen 20 milhões, Flumax e hidratação do paciente. O Gentopen 20 milhões é uma associação bactericida de antimicrobianos, composta por benzilpenicilina potássica e sulfato de gentamicina, indicada no tratamento de infecções agudas e super agudas causadas por agentes sensíveis. A dosagem recomendada é de 1 frasco para um animal de 500 kg a cada 12 horas, durante 5 dias, pela via intravenosa ou intramuscular. Já o Flumax, que deve ser feito em associação, é um potente anti-inflamatório não esteroidal à base de flunixin meglumine, com atividade analgésica, antipirética e antiendotóxica, promovendo o alívio da dor, a eliminação da febre, da inflamação e do edema. Além de agir na melhora da perfusão tecidual dos antimicrobianos, no incremento do apetite e favorecendo a recuperação mais rápida do animal. 

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Por fim, recomenda-se a terapia de secagem para o controle de mastites subclínicas, que pode ser feita utilizando-se Intrasec VS, uma suspensão intramamária à base de Cloxacilina Benzatina (uma seringa por teto após a ordenha). Associada ao intramamário, recomenda-se uma única dose de 1mL / 10 kg, por via intramuscular, de Benzafort 12 milhões, um antibiótico à base de penicilina G benzatina, de extralonga ação, muito eficaz no tratamento das mastites que não obtiveram cura durante o período da lactação.  

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Considerações finais  

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A mastite representa um dos maiores desafios na bovinocultura de leite, causando impactos econômicos significativos. Como visto, o controle eficiente da doença exige a compreensão de sua classificação, aliada a um rigoroso manejo preventivo que inclua a higiene dos equipamentos, o pré e o pós-dipping. Além disso, a detecção precoce, por meio do CMT e da caneca de fundo preto, e o tratamento direcionado conforme o agente etiológico são medidas indispensáveis. Em suma, a união entre prevenção contínua, diagnóstico ágil e terapia adequada é fundamental para garantir a sanidade do rebanho e a rentabilidade da atividade leiteira. Para saber mais sobre o assunto e os protocolos de tratamento da JA Saúde Animal, entre em contato conosco!  

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Referências  

BALDASSI, L.; FERNANDES FILHO, M.; HIPÓLITO, M.; MOULIN, A. A. P.; CALIL, E. M. B.; PIRES, D. C. Etiologia da mastite subclínica na bacia leiteira de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo. Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v. 58, n. 1-2, p. 29-36, 1991. DOI: 10.1590/1808-1657v58n1-2p0291991. 

CHENG, Wei Nee; HAN, Sung Gu. Bovine mastitis: risk factors, therapeutic strategies, and alternative treatments – A review. Asian-Australasian Journal of Animal Sciences, v. 33, n. 11, p. 1699-1713, 2020. DOI: 10.5713/ajas.20.0156. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7649072/. Acesso em: 1 out. 2026. 

LADEIRA, Sílvia R. L. Mastite bovina. In: RIET-CORREA, Franklin; SCHILD, Ana Lucia; LEMOS, Ricardo Antônio A.; BORGES, José Renato J. (org.). Doenças de ruminantes e equinos. 3. ed. Santa Maria: Pallotti, 2007. v. 1, p. 294-305. 

MENDONÇA, L. C.; GUIMARAES, A. S.; BRITO, M. A. V. P. e. Juiz de Fora: EMBRAPA, 2012. (EMBRAPA. Comunicado técnico, 66).  

MENEZES, Helen Marianna de; MILHOMEM, Thais França; SILVA, Mateus de Andrade da. Mastite em vacas: cuidado e prevenção. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 2, p. 7029-7038, 2023. DOI: 10.34119/bjhrv6n2-205. 

MESQUITA, Carla Danieli de Albuquerque; SACRAMENTO, Maria Luiza; SANTOS, Silvânia Matias Silva; MALAQUIAS, Suzana dos Santos. Danos causados pela mastite na produção leiteira bovina. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso Técnico em Agropecuária) – Etec Professor Francisco dos Santos, São Simão, 2024. 

OLIVEIRA, Luiza Bruna Passerini Barreiro de. Controle e profilaxia da mastite bovina. 2017. Trabalho Científico (Graduação em Medicina Veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Câmpus de Araçatuba, Araçatuba, 2017. Disponível em: Repositório UNESP – documento completo. Acesso em: 1 out. 2026. 

SANTOS, Marcos Veiga dos; TOMAZI, Tiago. Mastite contagiosa e ambiental: um diagnóstico em nível de rebanho. Revista Leite Integral, 7 jun. 2025. Disponível em: https://www.revistaleiteintegral.com.br/noticia/mastite-contagiosa-e-ambiental-um-diagnostico-em-nivel-de-rebanho. Acesso em: 1 out. 2026. 

SZIMANSKI, Emanuely Tangriane; LORENÇATTO, Otávio; GUERIOS, Euler Marcio. Mastite Ambiental. 2025. Disponível em: https://docs.google.com/document/d/1KQTYvXNm2oVGBkVfw2hoQ6HVyDR1q2DsiHs7IVHICWs/edit?usp=sharing. Acesso em: 1 out. 2026.

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