Colostragem, cura do umbigo e tratamento das doenças que podem acometê-lo são fundamentais para proteger o bezerro e favorecer seu desenvolvimento. Confira a seguir!
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Introdução
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Agosto, setembro e outubro concentram a maior parte dos nascimentos de bezerros nas fazendas, tornando esse período especialmente importante para a adoção de cuidados que favoreçam um início de vida saudável e contribuam para o desempenho dos animais ao longo da vida produtiva. Seja na pecuária de corte ou de leite, reduzir as taxas de morbidade e mortalidade é um dos principais objetivos nessa fase.
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Logo após o nascimento, o bezerro ainda apresenta o sistema imunológico imaturo e, por isso, está mais suscetível a diferentes enfermidades. Diarreias, onfalites e doenças respiratórias estão entre os principais problemas que podem comprometer sua saúde, seu desenvolvimento e, consequentemente, seu desempenho.
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Por isso, os cuidados nas primeiras semanas de vida são fundamentais. A ingestão adequada de colostro, a correta cura do umbigo e o uso de soluções indicadas para tratamento das doenças do umbigo e suas consequências fazem parte de uma estratégia de manejo voltada à proteção do animal desde os primeiros momentos de vida. Esses cuidados ajudam a garantir um início mais seguro, favorecendo o desenvolvimento saudável dos bezerros e contribuindo para melhores resultados na produção.
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Ingestão de colostro
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Para compreender a importância da ingestão de colostro, é fundamental considerar as características da placenta dos bovinos. A espécie possui placenta do tipo sindesmocorial, que atua como uma barreira contra a passagem de agentes infecciosos, como bactérias e vírus. No entanto, essa estrutura também impede a transferência de imunoglobulinas (anticorpos) da mãe para o feto durante a gestação, fazendo com que o bezerro nasça sem anticorpos maternos circulantes (BOLZAN et al., 2010; TIZARD, 2014 apud DIAS et al., 2024). Dessa forma, a ingestão de colostro após o nascimento é essencial para fornecer os anticorpos necessários à proteção do animal contra patógenos até que seu sistema imunológico esteja plenamente desenvolvido (BITTAR; PORTAL; PEREIRA, 2018).
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Por esse motivo, a colostragem adequada é um dos principais cuidados na criação de bezerros. A qualidade do colostro, o momento da primeira ingestão e o volume fornecido são fatores determinantes para uma transferência de imunidade passiva eficiente. Quando esses aspectos são manejados corretamente, há contribuição para a redução das taxas de morbidade, além de melhores resultados de crescimento, desenvolvimento imunológico e produtividade dos animais (GODDEN et al., 2019; LOMBARDI et al., 2020; AHMANN et al., 2021 apud ROCHA, 2025).
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Qualidade do colostro
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A concentração de imunoglobulina G (IgG) é um dos principais parâmetros utilizados para avaliar a qualidade do colostro. Considera-se de boa qualidade aquele que apresenta concentração superior a 50 g/L de IgG. Para estimar esse valor, o refratômetro de Brix é uma ferramenta prática e confiável, além de apresentar menor influência da temperatura e maior durabilidade quando comparado ao colostrômetro de vidro. Leituras acima de 21% no refratômetro de Brix indicam um colostro bom, correspondente a uma concentração de IgG superior a 50 g/L (ROCHA, 2025). Vale ressaltar que vacas multíparas tendem a apresentar colostro com maior concentração de imunoglobulinas, especialmente a partir da terceira lactação, enquanto vacas primíparas geralmente produzem colostro com menores concentrações de imunoglobulinas (PUPPEL et al., 2019).
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Outro aspecto fundamental é a qualidade microbiológica. Recomenda-se que o colostro fresco destinado aos bezerros apresente contagem de coliformes inferior a 10.000 UFC/mL. Entretanto, valores acima desse limite são observados com frequência nas propriedades. Uma elevada carga bacteriana pode comprometer a transferência de imunidade passiva, pois as bactérias presentes no colostro podem se ligar às imunoglobulinas no intestino ou interferir na absorção e no transporte dessas moléculas pelas células intestinais. Dessa forma, a contaminação bacteriana pode reduzir a eficiência da absorção das imunoglobulinas pelo bezerro (GODDEN et al., 2019).
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Por isso, os cuidados com a higiene durante a coleta e o fornecimento são fundamentais para preservar a qualidade do colostro. Antes da ordenha, os tetos devem ser devidamente limpos, e a coleta deve ser realizada em um balde limpo e sem acúmulo de biofilme. Após a coleta, o colostro destinado ao fornecimento imediato deve ser oferecido ao bezerro em até meia hora, utilizando mamadeiras ou sondas de alimentação devidamente higienizadas (CORNELL UNIVERSITY COLLEGE OF VETERINARY MEDICINE, s.d.).
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Quando não for fornecido imediatamente, é importante evitar que o colostro permaneça por tempo prolongado em temperatura ambiente, pois temperaturas mais elevadas favorecem a rápida multiplicação das bactérias. Em condições próximas à temperatura corporal da vaca, por exemplo, a população bacteriana pode duplicar em cerca de 20 minutos, enquanto o resfriamento para aproximadamente 16 °C aumenta esse intervalo para cerca de 150 minutos (CALFCARE.CA, s.d.; CORNELL UNIVERSITY COLLEGE OF VETERINARY MEDICINE, s.d.). Na formação de um banco de colostro, o congelamento é o método de conservação mais utilizado nas propriedades rurais. Recomenda-se o armazenamento em freezer, à temperatura de aproximadamente -20 °C, utilizando embalagens ou recipientes plásticos limpos, devidamente higienizados e apropriados para o armazenamento do colostro.
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Momento da ingestão
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O tempo entre o nascimento e a primeira ingestão de colostro também é determinante para uma boa transferência de imunidade passiva. O fornecimento deve ocorrer o mais precocemente possível, preferencialmente nas primeiras horas de vida. Estudos mais atuais recomendam que a primeira mamada seja realizada até duas horas após o nascimento, com uma nova oferta de colostro até seis horas de vida (PARANHOS, 2014 apud DIAS et al., 2024).
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Volume fornecido
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Além da qualidade e do momento do fornecimento, é necessário garantir que o bezerro receba uma quantidade adequada de colostro. A recomendação é fornecer um volume equivalente a 10% a 15% do peso vivo do animal. Assim, um bezerro recém-nascido com 35 kg deve receber aproximadamente 3,5 litros de colostro nas primeiras horas de vida (GODDEN, 2008 apud DIAS et al., 2024).
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Cura do umbigo
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A cura do umbigo é um cuidado essencial nas primeiras horas de vida do bezerro, pois contribui para prevenir a entrada de microrganismos e o desenvolvimento de infecções. O manejo deve começar pela avaliação do comprimento do cordão umbilical. Quando estiver com mais de 5 cm, recomenda-se realizar o corte com tesoura estéril, mantendo aproximadamente 5 cm de comprimento a partir do abdômen do animal.
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Após o corte, o coto umbilical deve ser imerso em solução de iodo na concentração de 7% a 10% por pelo menos 30 segundos, diariamente até que esteja completamente seco. A aplicação da solução auxilia na desidratação do coto e na proteção contra a entrada e multiplicação de microrganismos (RUFINO et al., 2014; KLIEMANN; WERLE, 2024).
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Tratamento das doenças do umbigo e suas consequências
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Quando a cicatrização do umbigo não ocorre de forma adequada, o cordão umbilical pode se tornar uma porta de entrada para microrganismos, favorecendo o desenvolvimento de infecções locais e sistêmicas. Nesse contexto, para o tratamento correto das afecções umbilicais, o Pró-Bezerro foi desenvolvido, sendo uma combinação de Penicilina G Benzatina e Ivermectina em uma única aplicação.
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A Penicilina G Benzatina é um antimicrobiano do grupo dos β-lactâmicos, enquanto a Ivermectina atua no controle de parasitas e auxilia na prevenção de miíases na região umbilical. A associação dos dois princípios ativos contribui para a proteção do bezerro contra onfalites e miíases, reduzindo os riscos associados às complicações decorrentes do comprometimento da região umbilical.
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A proteção prolongada, de até 28 dias, também favorece a cobertura do período em que o animal ainda apresenta maior vulnerabilidade. Além da ação prolongada, o Pró-Bezerro® oferece praticidade no manejo, com dose única de 5 mL por via intramuscular, facilitando sua utilização na rotina da fazenda. Para saber mais sobre o produto e sua utilização no manejo de bezerros recém-nascidos, entre em contato com a equipe técnica da JA Saúde Animal!
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Considerações finais
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Os primeiros dias de vida são determinantes para a saúde e o desenvolvimento dos bezerros e exigem atenção aos principais pontos de manejo. A oferta adequada de colostro, a correta cura do umbigo e a adoção de medidas preventivas contribuem para reduzir os riscos de enfermidades e favorecer um desenvolvimento mais saudável.
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Nesse período, a prevenção deve ser baseada em um conjunto de práticas, e não em uma única medida. O acompanhamento do nascimento, a higiene, a qualidade e o fornecimento do colostro, os cuidados com o umbigo e a avaliação dos fatores de risco presentes na propriedade são fundamentais para estabelecer uma rotina sanitária eficiente.
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Aliar boas práticas de manejo a um programa sanitário orientado pelo médico-veterinário permite enfrentar o período de nascimentos com maior segurança e reduzir perdas que podem comprometer o desempenho futuro dos animais. Cuidar do bezerro desde as primeiras horas é, portanto, uma etapa essencial para construir uma pecuária mais eficiente e produtiva.
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Juliana Ferreira Melo
Médica Veterinária – JA Saúde Animal
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Referências
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BITTAR, Carla Maris Machado; PORTAL, Rafaela Nunes Sanchez; PEREIRA, Anna Carolina Fett da Cunha. Criação de bezerras leiteiras. Piracicaba: ESALQ/Casa do Produtor Rural, 2018. 78 p. ISBN 978-85-86481-65-9.
CALFCARE.CA. Storing colostrum. [S. l.]: CalfCare.ca, [s.d.]. Disponível em: https://calfcare.ca/management/first-24-hours/colostrum/storing-colostrum/. Acesso em: 25 ago. 2026.
CORNELL UNIVERSITY COLLEGE OF VETERINARY MEDICINE. Colostrum collection and handling, usage of refractometer. Ithaca: Cornell University, [s.d.]. Disponível em: https://www.vet.cornell.edu/animal-health-diagnostic-center/programs/nyschap/modules-documents/colostrum-collection-and-handling-usage-refractometer. Acesso em: 25 ago. 2026.
DIAS, Jhennife Danielle da Silva; SILVA, Ana Paula Silva da; SILVA, Bruna Kaely Souza da; CARVALHO, Ester Sizane da Silva; SILVA, Gislany Coimbra da; NAUAR, Luiz Antonio Marinho; CONCEIÇÃO, Marcos Vinícius Cordeiro. A importância da colostragem de forma correta em bovinos e seus benefícios. In: SILVA, Leonardo França da; OLIVEIRA, Josiane Rosa Silva de; CRUSOÉ, Jéssica Mansur Siqueira Furtado (org.). Ciências agrárias: práticas e inovações. Ponta Grossa: Atena Editora, 2024. cap. 12, p. 150-154. DOI: 10.22533/at.ed.64924130412.
GODDEN, S. M. et al. Colostrum Management for Dairy Calves. Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, v. 35, n. 3, p. 535–556, 2019.
KLIEMANN, Kelli Tais; WERLE, Caroline Hoscheid. Anatomia do umbigo e onfalopatias em bezerros: revisão de literatura. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 10, p. 1790-1800, 2024. DOI: 10.51891/rease.v10i10.16037. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/16037. Acesso em: 18 ago. 2026.
PUPPEL, K.; GOŁĘBIEWSKI, M.; GRODKOWSKI, G.; SLÓSARZ, J.; KUNOWSKA-SLÓSARZ, M.; SOLARCZYK, P.; ŁUKASIEWICZ, M.; BALCERAK, M.; PRZYSUCHA, T. Composition and Factors Affecting Quality of Bovine Colostrum: A Review. Animals, v. 9, n. 12, p. 1070, 2019. DOI: 10.3390/ani9121070.
ROCHA, Sanya Maia Pereira. Importância e avaliação da colostragem e sua relação com a transferência de imunidade passiva em bezerras leiteiras. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Zootecnia) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2025.
RUFINO, Sâmara Raiany de Almeida; AZEVEDO, Rafael Alves de; FURINI, Pamela Michéli; CAMPOS, Mariana Magalhães; MACHADO, Fernanda Samarini; COELHO, Sandra Gesteira. Manejo inicial de bezerras leiteiras: colostro e cura de umbigo. [S. l.]: Embrapa, jul. 2014. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/992000/1/folderManejoInicialBezerras.pdf. Acesso em: 18 ago. 2026.
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