COMO TRATAR AS MASTITES SUPERAGUDAS?

A pecuária de leite é uma das atividades mais importantes do país, sendo praticada em todo o território nacional, através de pequenas, médias e grandes propriedades rurais. A atividade é responsável por produzir em torno de três milhões de empregos, podendo atingir no ano de 2020 aproximadamente 669,7 bilhões de faturamento (BRASIL, 2019).

De acordo com os diferentes tipos de doenças microbianas, a mastite bovina é a que gera maior impacto econômico na bovinocultura de leite, por conta dos prejuízos ocasionados ao produtor e à indústria de produtos lácteos (LAFFRANCHI et al.,2001). Conforme sua manifestação, essa síndrome pode ser dividida em dois grupos, sendo eles: mastite clínica (superaguda, aguda, subaguda ou crônica) e subclínica. A forma clínica é evidenciada, pois nesse tipo o animal irá apresentar um conjunto de alterações evidentes.

 Na mastite clínica superaguda são notadas alterações sistêmicas evidentes como: processo febril, inapetência, apatia, diminuição da produção de leite, choque e até a morte. Nessa enfermidade constata-se também um processo inflamatório importante, que consiste em: dor, calor, endurecimento da glândula mamária, presença de grumos e/ou sangue no leite (SANTOS & FONSECA, 2001).

De acordo com Fonseca & Santos (2000), para ter o controle assertivo dessa enfermidade é necessário ter a diminuição dos patógenos por meio de controle sanitário, com objetivo de diminuir a taxa de colonização dos tetos. Para isso, existem algumas táticas que podem ser utilizadas como a realização do pré-dipping e pós-dipping, a não utilização de panos ou esponjas sujas em mais de uma vaca e a realização da linha de ordenha. É necessário também realizar treinamentos com a equipe de ordenhadores, para ensinar como se faz todo o manejo desde a entrada do animal na sala de ordenha até a lavagem correta das teteiras após ordenhas, sendo a forma de prevenção mais efetiva desta síndrome.

Athiê (1988) relatou que além dos protocolos de higiene citados anteriormente, o teste da caneca de fundo preto, quando feito diariamente, é apontado como um método eficaz para monitoramento da mastite clínica. Sua descoberta precoce irá evitar o contágio de outros animais, pensando que a vaca acometida será tratada e deixada por último para ser ordenhada até ser curada totalmente (FONSECA & SANTOS, 2001).

Riet- Correa et al (2006) cita que, para um tratamento assertivo, é necessário a aplicação de produtos intramamários por um período de três dias, sendo necessário que o ordenhador esgote completamente o quarto afetado para administrar o produto. Quando o animal apresentar sinais clínicos sistêmicos é preconizado utilização de medicamentos injetáveis.

Em estudo realizado com os principais ativos no combate da mastite, destacou- se com alta eficácia contra os agentes bacterianos a utilização da Amoxicilina e Ácido Clavulânico, que contribuiu para a melhora significativa do quadro clínico do animal. Aires (2010) constatou 95% de eficácia no combate dos principais agentes etiológicos da mastite, utilizando como tratamento essa associação citada acima.               

Para o tratamento das mastites clínicas, a JA Saúde Animal conta com uma linha exclusiva de intramamários, com destaque ao Mastite Clínica VL®, à base de Amoxicilina Trihidratada, Clavulanato de Potássio e Acetato de Prednisolona. Mastite Clínica VL® é um produto que apresenta alta eficácia e amplo espectro antimicrobiano, além de atuar na inflamação, dor, desconforto e inchaço local. Nos casos agudos e superagudos é indicado associar ao intramamário um antimicrobiano sistêmico. A JA recomenda o Diclotril®, produto à base de Enrofloxacina, associado a um anti-inflamatório não esteroidal, o Diclofenaco de Sódio.

 

 Autores:

M.V. Guilherme Luiz Gomes da Silva

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

M.V. Eduardo de Castro Rezende

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu

Médico Veterinário e Fundador da JA Saúde Animal

 

 

Referências bibliográficas:

AIRES, T. Mastites em bovinos: caracterização etiológica, padrões de sensibilidade e implementação de programas de qualidade do leite em explorações do Entre-Douro e Minho. Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária, 2010.

 

ATHIÊ, F. Gado leiteiro: uma proposta adequada de manejo. 4.ed. São Paulo: Nobel, 8p. 1988.

 

BRASIL, A. CNA prevê que agro brasileiro terá um faturamento de R$ 670 bilhões em 2020. Acesso em 26 de out 2020. Disponível em: https://www.canalrural.com.br/agronegocio/agropecuaria-cna-faturamento-2020/. 2019.

 

FONSECA, L.F.L.; SANTOS, M.V. Qualidade do leite e controle da mastite. São Paulo: Lemos, 314p. 2000.

LAFFRANCHI, A. et al. Etiologia das infecções intramamárias em vacas primíparas ao longo dos primeiros quatro meses de lactação. Ciência Rural, V. 31., n.6, 2001.

RIET – CORREA, F. et al. Doenças de Ruminantes e Equinos. 2 ed. Vol. 1. São Paulo: Varela, 426p. 2006.

SANTOS, M. V.; FONSECA, L. F. L. Estratégias para controle de mastite e melhoria da qualidade do leite. São Paulo: Manole, 314 p. 2007.

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