Terapia de Secagem Seletiva: um novo conceito

      A mastite é uma das mais frequentes, dispendiosas e impactantes enfermidades dos rebanhos leiteiros no Brasil e no mundo (Halasa et al., 2007), devido a isso, cada vez mais devemos priorizar a prevenção, tanto para os produtores, quanto para os médicos veterinários e demais pessoas envolvidas na atividade (Bexiga et al., 2005). Para se ter uma ideia, estima-se que os prejuízos produtivos decorrentes da mastite no Brasil estão na ordem de 12 a 15%, o que significa uma perda de cerca de 4 bilhões de litros de leite por ano (SANTOS e FONSECA, 2007; BROOM e FRASER, 2010)

     O período seco é um momento crítico do ciclo de lactação da vaca, sendo um ponto estratégico de prevenção e controle das infecções intramamárias (IIM), tanto para novas infecções, quanto para infecções advindas da lactação anterior. Estudos recentes também mostram que infecções iniciadas no período seco também podem ser responsáveis por aumentar a incidência de mastites nas lactações subsequentes (Bradley et al., 2010; Gundelach et al., 2011).

     Para o controle e combate das infecções durante o período seco, deve ser instituída a conhecida Terapia da Vaca Seca (TVS), que consiste na administração de medicamentos intramamários, comumente aliados ao uso de selantes. São diversas as qualidades desse modo de tratamento, tais como: maior eficácia antimicrobiana quando comparado a tratamentos realizados durante a lactação, principalmente em relação a alguns agentes etiológicos complicados, como Staphylococcus Aureus; redução da ocorrência de novas infecções; maior tempo de recuperação antes da próxima lactação (Owens & Nickerson, 2011).

     Em muitos países, inclusive no Brasil, é de praxe a recomendação da aplicação massiva de medicamentos em todos os quartos mamários de todas as vacas na secagem. O uso dessa prática contribui para a redução da Contagem de Células Somáticas (CCS) do rebanho, bem como da prevalência das infecções intramamárias. Entretanto, atualmente há um conceito mais moderno, o da Terapia de Vaca Seca Seletiva (TVSS) (S.M. Rowe et al., 2020).

      A TVSS nada mais é que a realização seletiva de terapia de secagem, selecionando os tetos e vacas a serem tratadas, a depender dos registros periódicos de CCS, histórico de mastite e resultado de cultura microbiológica. Embora esse método seja mais racional, reduzindo o uso desnecessário de medicamentos, ainda há grande insegurança quanto ao não tratamento de alguns animais, além de só poder ser implementado em fazendas mais organizadas e tecnificadas, que fazem o diagnóstico e acompanhamento constante do rebanho (S.M. Rowe et al., 2020).

     Independentemente da utilização de TVS ou TVS seletiva, o ideal é fazer uso de antimicrobianos intramamários de alta eficácia e ação prolongada, que atuem especialmente durante as primeiras 2 semanas do período seco. Segundo Costa et al. (1997), um dos ativos com maior eficácia é a Cloxacilina Benzatina, demonstrando cura microbiológica superior a 95%. A eficácia da utilização do selante também é bem documentada, apresentando influência altamente positiva na redução das novas infecções no período seco (Huxley et al. 2002).

     A sugestão da JA Saúde Animal como protocolo de secagem é o uso do Intrasec VS, aliado ao uso do Selateto. O Intrasec é um intramamário à base de Cloxacilina Benzatina, antimicrobiano de longa ação e alta eficácia no combate das mastites advindas da lactação anterior, além da prevenção e controle das novas infecções. Já o Selateto, é um selante intramamário à base de Subnitrato de Bismuto, que age formando uma barreira mecânica no canal e esfíncter do teto, impedindo a entrada de microrganismos no período seco.

Autores:

M.V. Eduardo de Castro Rezende

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu

Médico Veterinário e Fundador da JA Saúde Animal

 

Referências:

Bexiga, R., Cavaco, L.M., and Vilela, C.L. (2005). Mastites subclínicas bovinas na zona do Ribatejo-Oeste . Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias 100 ,p. 39–44.

Bradley, A.J., Breen, J.E., Payne, B., Williams, P., and Green, M.J. (2010). The use of a cephalonium containing dry cow therapy and an internal teat sealant, both alone and in combination. J. Dairy Sci. 93, 1566–1577.

Costa, E.O.; CARCIOFI, A.C; PRADA, M.S.; TESSARI, J.R.; MELVILLE, P.A.; Tratamento de mastite bovina: comparação in vitro e in vivo da sensibilidade a antimicrobianos. Hora Vet., Porto Alegre, v.16, n.95, p.27-30, 1997.

Gundelach, Y., Kalscheuer, E., Hamann, H., and Hoedemaker, M. (2011). Risk factors associated with bacteriological cure, new infection, and incidence of clinical mastitis after dry cow therapy with three different antibiotics. J. Vet. Sci. 12, 227–233.

EBERHART, R. J. New infections in the dry period. In: ANNUAL MEETING OF NATIONAL MASTITIS COUNCIL, 21., 1982, Louisville, Proceedings… Kentucky: N.M.C, 1982. p. 101-111.

Halasa, T., Huijps, K., Østerås, O., and Hogeveen, H. (2007). Economic effects of bovine mastitis and mastitis management: a review. Vet. Q. 29, 18–31.

Huxley, J.N., Green, M.J., Green, L.E., and Bradley, A.J. (2002). Evaluation of the Efficacy of an Internal Teat Sealer During the Dry Period. J. Dairy Sci. 85, 551–561.

Owens, W.E., and Nickerson, S.C. (2011). Mastitis Therapy and Control | Medical Therapy Options. In Encyclopedia of Dairy Sciences (Second Edition), J.W. Fuquay, ed. (San Diego: Academic Press), pp. 435–439.

ROWE, S.M. et al. Randomized controlled non-inferiority trial investigating the effect of 2 selective dry-cow therapy protocols on antibiotic use at dry-off and dry period intramammary infection dynamics. Journal Of Dairy Science, [s. l], v. 3, n. 151, p. 986-994, dez. 2013.

Williamson, J.H., Woolford, M.W., and Day, A.M. (1995). The prophylactic effect of a drycow antibiotic against Streptococcus uberis. N. Z. Vet. J. 43, 228–234.

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