A Tristeza Parasitária Bovina (TPB) é um complexo de enfermidades causadas por infecções decorrentes a dois agentes: a Babesia bovis, um parasita intraeritrocitário e o Anaplasma marginale, uma Rickettsia, que nada mais é que um tipo diferente de bactéria carreada por parasitas. Para que haja a transmissão desses agentes é necessário a presença de um vetor, sendo o principal o carrapato de bovinos (Riphicephalus Boophilus Microplus) (THEILER, 1910; DE VOS, 1992; BABES, 1888; SMITH & KILBORNE, 1893).

A TPB é uma enfermidade que limita o desenvolvimento da pecuária, visto que animais acometidos possuem menor produção de leite e carne, maiores índices de infertilidade, morbidade e mortalidade, além dos gastos com o tratamento. Para se ter uma ideia, estima-se que no Brasil a TPB cause um prejuízo anual de cerca de US$ 500 milhões de dólares (DE VOS, 1992; THEILER, 1910; BABES, 1888; SMITH & KILBORNE, 1893; LIMA, 1991; GRISI et al., 2002).

Após a infecção pelos agentes causadores da doença, estes se multiplicam rapidamente nas células sanguíneas e por consequência surgem diversos sinais clínicos, como anemia, febre, icterícia, hemoglobinúria (urina com sangue), redução da ruminação, sintomas nervosos, anorexia e até a morte (EMBRAPA, 2020).

Embora a Tristeza Parasitária possa acometer qualquer categoria de bovino, os bezerros são os mais afetados por ser a categoria mais imunologicamente sensível dentre todas, principalmente por volta dos quatro meses de idade, época de transição da imunidade colostral para a imunidade adquirida (MADRUGA et al., 1986). Outro fator que influencia de maneira importante é a genética, bovinos de sangue europeu são mais susceptíveis aos carrapatos e aos agentes da TPB, enquanto animais zebuínos são naturalmente resistentes (RISTIC, 1960).

Independentemente da idade ou genética do animal, é fundamental utilizar de métodos de prevenção, destacando-se o controle de carrapatos, quimioprofilaxia, premunição e o uso de vacinas, sendo o controle dos vetores a principal estratégia de prevenção (RISTIC & MONTENEGRO-JAMES, 1988). Mesmo adotando medidas profiláticas, a TPB pode se instalar e nesse caso é necessário lançar mão de medicamentos eficazes no combate dos agentes, sendo os medicamentos derivados da Diamidina (Diminazeno) e os da classe das tetraciclinas, os mais indicados (EMBRAPA, 2020). O protocolo J.A indicado para o controle e tratamento da tristeza parasitária bovina é a utilização de Ganavet Plus, babesicida à base de Diminazeno e Fenazona, associado ao Diclotril, antimicrobiano e anaplasmicida à base de Enrofloxacina e Diclofenaco de Sódio.  Além de eliminar os agentes etiológicos da TPB, essa associação possui anti-inflamatórios que controlam a febre e o desconforto animal, fazendo com que o mesmo retorne mais rapidamente a suas atividades produtivas. Adicionalmente como terapia suporte, pode-se utilizar o Catofós B12, medicamento à base de Butafosfan e Vitamina B12, que age estimulando o apetite e a produção de células sanguíneas, contribuindo positivamente para a recuperação do animal.

Autores:

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu – Médico Veterinário e Fundador da J.A Saúde Animal

M.V. Eduardo Henrique de Castro Rezende – J.A Saúde Animal

 

Referencias:

BABES, V. Sur l’hemoglobinurie bacterienne du boeuf. Comptes Rendus Hebdomadaires des Seances de l’Academie des Sciences, v. 107, p. 692-694, 1888.

DE VOS, A.J. Distribution, economic importance and control measures for Babesia and Anaplasma. In: WORKSHOP, ILRAD, Nairobi, Kenya, 1991. Proceedings… T.T. Dolan (Editor), 1992. 312 p. p. 3-15.

EMBRAPA. Controle/Profilaxia da Tristeza Parasitária Bovina. Infoteca-e, Bagé, 2001. Disponível em: <https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/227317/1/ct382001.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2020.

GRISI, L.; MASSARD, C. L.; BORJA, G. E. M.; PEREIRA, J. B. Impacto econômico das principais ectoparasitoses em bovinos no Brasil. Hora Veterinária, Porto Alegre, v. 21, n. 125, p. 8-10, 2002.

LIMA, J.D. Premunição: uma alternativa para o controle da tristeza parasitária, São Paulo, SP, 1991. In: SEMINÁRIO BRASILEIRO DE PARASITOLOGIA VETERINÁRIA. São Paulo, 22-26 de setembro, 1991. Anais… São Paulo, 1991. 156p. p. 39-43.

MADRUGA, C.R., AYCARDI, E., KESLLER, R.M., et al. Níveis de anticorpos anti-Babesia bigemina e Babesia bovis em bezerros da raça Nelore, Ibagé e cruzamentos de Nelore. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.19, p.1163-1168, 1984.

RISTIC, M. Anaplasmosis. Advances in Veterinary Science., v. 7, p. 111-192, 1960.

RISTIC, M., CARSON, C.A. Methods of immunoprophylaxis against bovine anaplasmosis with emphasis on use of the attenuated Anaplasma marginale vaccine. Advances in Experimental Medical Biology, v. 93, p. 151-188, 1977.

SMITH, T., KILBORNE, F.L. Investigations into the nature, causation and prevention of Texas or Southern cattle fever. US Department of Agriculture Bur Animal Industry Bulletin, v. 1, p. 7-269, 1893.

THEILER, A. Gallsickness of imported cattle and protection against the disease. Agriculture Journal United American South Africa, v. 3, n. 1, 1910.

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