A bovinocultura brasileira possui posição de destaque na economia mundial, sendo detentora do maior rebanho bovino comercial do planeta. Outra grande vantagem competitiva inerente à pecuária brasileira é seu grande potencial  de expansão, em decorrência principalmente à dimensão geográfica e ao baixo custo de produção no sistema extensivo (CEZAR et al., 2005; BRAGA, 2010). Nesse sentido, as forragens se tornam ferramenta essencial para o sucesso da atividade, lembrando sempre da importância do correto manejo e da manutenção dessas pastagens (TUFFI et al., 2004).

Um dos maiores desafios do sistema extensivo de criação é a degradação das pastagens, que na maioria das vezes é diretamente proporcional à ocorrência de plantas invasoras das forrageiras. Essas plantas tóxicas são responsáveis por grandes prejuízos na fazenda, isso ocorre devido à perda de peso dos animais, menores taxas reprodutivas, abortos, mortes, além de custos com manutenção de pastagem, como a implantação de cercas para isolamento de áreas invadidas (NUNES, 2001, RISSI et al., 2007).

Há estudos que comprovam a alta incidência da intoxicação em bovinos, sendo descrito por alguns autores como a terceira causa de morte nesses animais. A Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) relatou que 10% dos diagnósticos realizados em seu Laboratório Regional de Diagnóstico (LRD) foram relacionados a intoxicações. Já na Universidade Estadual de Santa Catarina, a quantidade dos casos diagnosticados com intoxicação foi em torno de 14%, evidenciando o impacto dessa enfermidade para a pecuária (Riet-Correa & Medeiros 2001).

Embora os dados de incidência apresentados anteriormente sejam alarmantes, acredita-se que os mesmos estão muito subestimados, visto que a maioria dos produtores desconhece a real causa de morte dos animais, não sendo capaz de reconhecer a maioria dos sinais clínicos relacionados a intoxicação (RIET-CORREA e MEDEIROS, 2001). Pessoa et al (2013) estima que mais de 820 mil bovinos morrem por ano em decorrência a esse tipo de acidente, refletindo em prejuízo superior a 160 milhões de dólares, sem contar os prejuízos indiretos (RIET-CORREA e MEDEIROS, 2001).

Mas quais seriam os motivos de tamanha incidência? O principal deles é a fome, comum principalmente da época das secas, onde há escassez de pastagem e, consequentemente, maior fome e disponibilidade de ervas daninhas. As plantas mais ingeridas são aquelas com maior palatabilidade, que combinado a sensibilidade do animal e potencial tóxico, definem a gravidade do acidente. No Brasil são conhecidas mais de cem espécies tóxicas capazes de causar diferentes sinais clínicos (ASSIS et al., 2010; RIETCORREA e MEDEIROS 2001).

Dentre as plantas tóxicas mais prejudicias estão a “Erva de Rato” (Palicourea marcgravii), responsável por alta taxa de mortalidade, precedida por sinais clínicos neuromusculares como ataxia, movimentos de pedalagem, língua protusa, entre outros. A “maria-mole” ou “flor das almas” (Senecio spp) é outra planta que merece atenção, causando sinais neurológicos e também alguns outros sinais como diarreia, tenesmo e depressão. Além dessas, existem outras plantas muito prejudiciais ao rebanho como a “timbó” (Ateleia glazioveana Baill), “mamona” (Ricinus communis), “samambaia” (Nephrolepis pectinata), entre outras (Riet-Correa et al., 2006; Tokarnia et al., 2000; BARBOSA et al., 2003; BASILE et al., 2005; GAVA et al., 2001).

Não existe um medicamento ou antídoto que cure definitivamente o animal, apenas tratamentos sintomáticos e de suporte. No entanto, através da análise de casos de animais sobreviventes, constatou-se que a utilização de medicamentos com função antitóxica foi de grande valia na recuperação dos doentes (GARLAND e BAILEY., 2006; HONG et al., 2011). A utilização desse tipo de medicação protege o fígado, órgão responsável pela metabolização das toxinas no organismo.

A sugestão da JA para o tratamento de suporte é a utilização do TurboCácio, medicamento à base de minerais, energia e agentes protetores hepáticos. Além de proteger o fígado do animal intoxicado, os demais componentes da fórmula contribuem para o reestabelecimento do quadro clínico, dando mais chances de recuperação ao animal afetado.

Autores:

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu – Médico Veterinário e Fundador da J.A Saúde Animal

M.V. Eduardo Henrique de Castro Rezende – J.A Saúde Animal

 

Referências:

Riet-Correa F. & Medeiros R.M.T. 2001. Intoxicações por plantas em ruminantes no Brasil e no Uruguai: importância econômica, controle e riscos para a saúde pública. Pesq. Vet. Bras. 21:38-42.

Tokarnia C.H., Döbereiner J., Silva M.F. 1979. Plantas Tóxicas da Amazônia a Bovinos e Outros Herbívoros. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus. 95p.

Tokarnia C.H., Döbereiner J. & Peixoto P.V. 2000. Plantas Tóxicas do Brasil. Editora Helianthus, Rio de Janeiro. 320p.

CEZAR, I. M.; QUEIROZ, H. P.; THIAGO, L. R. L. S. et al. Sistemas de produção de gado de corte no Brasil: uma descrição com ênfase no regime alimentar e no abate. Embrapa Gado de Corte. p.19, 2005

BRAGA, G. B.; Caracterização dos sistemas de criação de bovinos com atividade reprodutiva e estimativa da prevalência da Brucelose bovina na Região Centro-Sul do Brasil. 2010. 206 p. Dissertação (Mestrado em Epidemiologia experimental aplicada às zoonoses) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.

NUNES, S. G. Controle de Plantas Invasoras em Pastagens Cultivadas nos Cerrados. Embrapa Gado de Corte, 2001.

TUFFI S. L. D.; SANTOS I. C.; OLIVEIRA C. H. et al., Levantamento fitossociológico em pastagens degradadas sob condições de várzea. Planta Daninha, v. 22, n. 3, p. 343-349, 2004.

RISSI, D. R.; RECH, R. R.; PIEREZAN, F. et al. Intoxicações por plantas e micotoxinas associadas a plantas em bovinos no Rio Grande do Sul: 461 casos. Pesq. Vet. Bras., v. 27, n.7, p. 261-268, 2007.

PESSOA, C. R. M.; MEDEIROS, R. M. T.; RIET-CORREA, F. Importância econômica, epidemiologia e controle das intoxicações por plantas no Brasil. Pesq. Vet. Bras, v. 33, n. 6, p. 752-758, 2013.

ASSIS, T. S.; MEDEIROS, R. M. T.; RIET-CORREA, F. et al. Intoxicações por plantas diagnosticadas em ruminantes e equinos e estimativa das perdas econômicas na Paraíba. Pesq. Vet. Bras, v. 30, n. 1, p. 13-20, 2010.

TOKARNIA, C. H.; DOBEREINER J.; PEIXOTO, P. V. Plantas Tóxicas do Brasil. 2ª ed. Editora Helianthus, Rio de Janeiro. p. 310, 2000.

BARBOSA, J. D.; OLIVEIRA, C. M. C.; TOKARNIA, C. H. et al. Comparação da sensibilidade de bovinos e búfalos à intoxicação por Palicourea marcgravii (Rubiaceae). Pesq. Vet. Bras., v. 23, n. 4, p. 167-172, 2003.

BASILE, J. R.; DINIZ, J. M. F.; OKANO, W. et al. Intoxicação por Senecio spp.(Compositae) em bovinos no sul do Brasil. Acta Scientiae Veterinariae, v. 33, n. 1, p. 63-68, 2005.

GAVA, A.; BARROS, C. S. L.; PILATI, C. et al. Intoxicação por Ateleia glazioviana (Leg. Papilionoideae) em bovinos. Pesq. Vet. Bras., v. 21, n. 2, p. 49-59, 2001.

GARLAND, T.; BAILEY, E. M. Toxins of concern to animals and people. Revue Scientifique et Technique Office International of Epizootics, v. 25, n. 1, p. 341-351, 2006.

HONG, I. H.; KWON, T. E.; LEE, S. K. et al. Fetal death of dogs after the ingestion of a soil conditioner. Experimental and Toxicologic Pathology, v. 63, n. 1-2, p. 113-117, 2011.

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