Metrite em bovinos: como solucionar essa enfermidade?

                A reprodução é um dos pilares da bovinocultura de leite (LEBLANC, 2008). As doenças do sistema reprodutor são conhecidas por gerar grandes perdas econômicas devido a diminuição na produção do leite, queda nas taxas de prenhez, aumento significativo dos intervalos entre partos e descarte dos animais que apresentam problemas reprodutivos (HUSZENICZA et al., 1999; LEBLANC et al., 2002; SHELDON et al., 2009). Dentre as enfermidades responsáveis por prejuízos reprodutivos uma das mais prevalentes é a metrite, atingindo 10 a 20% do rebanho (LEBLANC, 2008).

                A metrite é uma inflamação severa que envolve todas as camadas do útero: endométrio, submucosa, muscular e serosa (BONDUTANT, 1999). Geralmente é notada no período de até 21 dias pós parto e tem mais chances de acontecer nos dez primeiros dias após a parição. A metrite pode ser caracterizada pelo aumento de volume do útero e secreção vermelho amarronzada à viscosa quase branca, com presença de pus, podendo apresentar odor fétido (SHELDON et al., 2006). Na presença de sinais sistêmicos o quadro clínico pode ser considerado severo, caracterizado por processo febril, apatia, redução na produção de leite e toxemia (SHELDON et al., 2009).

                É descrito na literatura que 40% das vacas apresentam metrite nas duas primeiras semanas pós parto e, em aproximadamente 10 a 15% desses animais, a infecção irá persistir por mais três semanas, levando a um caso de endometrite (GILBERT et al., 2008; LEBLANC et al., 2002; SHELDON & DOBSON, 2004; SHELDON et al., 2009). Isso ocorre pois no pós parto das vacas, as bactérias são capazes de adentrar a cavidade uterina através do canal do parto (SHELDON & DOBSON, 2004).

                Após algumas semanas da parição, existe um ciclo de contaminação bacteriana, em que o animal melhora devido uma limpeza fisiológica e uma nova contaminação, apesar de que em vários animais essa nova contaminação é solucionada apenas pela involução uterina, expulsão do lóquio e produção de imunidade (POTTER et al., 2010).

                Os animais que não manifestam sinais clínicos, mas apresentam alteração uterina e corrimento purulento excretado pela vagina até 21 dias pós parto, devem ser considerados metrite clínica (SHELDON et al., 2006). Recentemente foi sugerido a classificação da metrite de acordo com os sinais clínicos apresentados pelo animal, que consiste em três graus:

I Grau (Metrite Clínica) – Útero com tamanho aumentado, presença de corrimento vaginal com aspecto purulento, sem sintomatologia sistêmica.

II Grau (Metrite Puerperal) – Útero com tamanho aumentado, presença de corrimento aquoso e fétido com presença de sinais clínicos: queda na produção de leite, apatia, tóxemia e hipertermia (>39,5°C).

III Grau (Metrite Puerperal Tóxica/ Séptica) – Características semelhantes ao Grau 2, com presença de inapetência, extremidades frias, depressão.

                Para diagnosticar a metrite é necessário a realização de uma avaliação minuciosa do animal, observando- se os sintomas característicos descritos acima. Deve se ter maior atenção com os animais mais susceptíveis a desenvolver essa patologia, que são vacas recém paridas com histórico de retenção de placenta, distocia e as que parem bezerros mortos ou gêmeos (SHELDON et al., 2006).

                O tratamento inicial da metrite é o combate da infecção bacteriana intra-uterina, de forma que reduza os sinais clínicos e aumente o bem estar animal. A escolha do medicamento irá depender dos sintomas apresentados pelas vacas acometidas, sendo que o tratamento deve ser realizado com antibióticos sistêmicos, pois estes geram uma melhor absorção e eficácia nesse momento (OKKER et al., 2002; PALMER, 2003; SMITH & RISCO, 2002). Medicamentos do grupo das Quinolonas são amplamente utilizados e indicados para a resolução das metrites. Um dos ativos dessa classe é a Enrofloxacina, que além de possuir ação bactericida de amplo espectro, atuando contra as bactérias Gram positivas e negativas e quando associada a um anti-inflamatório não esteroidal, promove também a resolução da inflamação, dor e febre.

                A JA Saúde Animal sugere como tratamento da metrite a utilização de Diclotril®, um produto injetável à base de Enrofloxacina, uma Quinolona de segunda geração associada ao anti-inflamatório Diclofenaco de Sódio, que alia combate e resolução da enfermidade, com maior bem estar ao animal. Para saber mais sobre este produto acesse o site www.jasaudeanimal.com.br

 

Autores:

M.V. Guilherme Luiz Gomes da Silva

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

M.V. Eduardo de Castro Rezende

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu

Médico Veterinário e Fundador da JA Saúde Animal

 

Referências bibliográficas

BONDURANT, R. H. Inflammation in the bovine female reproductive tract. Journal of Animal Science, v.77, n.2, p.101–110, 1999. Disponível online: <http://jas.fass.org/content/77/suppl_2/101.citation> Acesso em 09 de nov de 2020.

 

HUSZENICZA, G.; HIRVONEN, J.; KULSCÀR, M. & PYORALA, S. Acute-phase response in dairy cows with acute postpartum metritis. Theriogenology. 51, 1071-1083. 1999.

LEBLANC, S. J. Postpartum uterine disease and dairy herd reproductive performance: a review. Veterinary Journal. 176(1), 102-114. 2008.

 

LEBLANC, S. J.; DUFFIELD, T. F.; LESLIE, K. E.; BATEMAN, K. G.; KEEFE, G. P.; WALTON, J. S. & JOHNSON, W. H. Definig and diagnosing postpartum clinical endometritis and its impact on reproductive performance in dairy cows. Journal of Dairy Science. 85, 2223-2236. 2002.

 

OKKER, H.; SCHMITT, E. J.; VOS, P. L. A. M.; SCHERPENISSE, P.; BERGWERFF, A. A. & JONKER, F. H. Pharmacokinetics of ceftiofur in plasma and uterine secretions and tissues after subcutaneous postpartum administration in lactating dairy cows. Journal of Veterinary Pharmacology and Therapeutics. 25, 33-38. 2002.

 

PALMER, C. Post-partum metritis in cattle: A review of the condition and the treatment. Large Animal Veterinary Rounds. 3(8). Acesso em 09 de nov de 2020, disponível em: http://www.larounds.ca/crus/laveng_10003.pdf.

 

POTTER, T.J. et al. Risk factors for clinical endometritis in postpartum dairy cattle. Theriogenology, v.74, n.1, p.127-134. doi: 10.1016/j.theriogenology.01.023. 2010.

SHELDON, I. M. & DOBSON, H. Postpartum uterine health in cattle. Animal Reproduction Science. 82-83, 295-306. 2004.

 

SHELDON, I. M.; CRONIN, J.; GOETZE, L.; DONOFRIO, G. & SCHUBERTH, H.J. Defining postpartum uterine disease and the mechanisms of infection and immunity in the female reproductive tract in cattle. Biology of Reproduction. 81(6), 1025-1032. 2009.

 

SHELDON, I. M.; LEWIS, G. S.; LEBLANC, S. & GILBERT, R. O. Defining postpartum uterine disease in cattle. Theriogenology 65, 1516-1530. 2006.

 

SMITH, B. I. & RISCO, C. A. Predisposing factors and potential causes of postpartum metritis in dairy cattle. Compendium on Continuing Education Practicing Veterinarian. 24, 74-80. 2002.
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