Síndrome da hipogalactia puerperal em suínos

     A suinocultura é uma atividade em constante crescimento, com significativa evolução nas últimas décadas. Em busca de maior lucratividade, cada vez mais os criadores tem aumentado seus investimentos em melhoramento genético e, com isso, alcançado melhores índices produtivos e reprodutivos. Um resultado interessante dessa evolução é o aumento do tamanho da leitegada, que permite maiores ganhos, porém apresenta maiores desafios (POWE, 1986).

     Um maior número de leitões por fêmea exige uma estrutura mamária mais desenvolvida, bem como uma maior produção de leite. A integridade do complexo mamário é extremamente relevante para criação e desevolvimento da leitegada, por isso é importante atenção quanto a falhas na lactação, um problema muito comum na suinocultura (POWE, 1986).

     A insuficiente produção de leite no pós-parto é denominda tradicionalmente por síndrome mastite-metrite-agalactia (MMA). Existem também definições mais recentes e condizentes com a enfermidade, tais como:  síndrome da hipogalactia puerperal (SHP) (SMITH et al., 1992);  síndrome da insuficiência lactacional (TOKACH & TUBBS, 1997); e síndrome da disgalactia pós-parto (SDP), (KLOPFENSTEIN et al., 1999). Essa quantidade de diferentes denominações é decorrente principalmente do caráter multifatorial da doença, bem como das diferentes formas de apresentação da mesma (TOKACH & TUBBS, 1997).

     Segundo pesquisas, a ausência completa da lactação, denominada agalaxia, é muito incomum (JONES, 1986). Entretanto, a redução da produção de leite (hipogalaxia) é um sinal comum e possivelmente causado por muitos fatores diferentes, como infecção por microorganismos, desbalanços hormonais, deficiências nutricionas, toxemias, entre outros. Além da característica redução leiteira, que se inicia de 12 a 24 horas após o parto, a matriz pode apresentar aumento na frequência cardíaca e respiratória, depressão do sistema nervoso, elevação de temperatura, inapetência e constipação (MARTIN E MCDOWELL, 1975).

     É possível que a hipogalaxia seja acompanhada de mastite, que é manifestada por alguns sinais, como úberes quentes, edemaciados e endurecidos, ou por metrite, caracterizada principalmente por descarga infeciosa pela vulva (JONES, 1986). Independentemente se há ou não a junção dessas enfermidades, quem mais sofre com a síndrome geralmente não é a porca e, sim, os leitões, que não ingerem na quantidade correta o leite responsável por seu crescimento e imunidade (EINARSSON, 1986).

     O tratamento da hipogalaxia ou agalaxia é variável de acordo com a etiologia da enfermidade, sempre voltado ao restabelecimento da adequada produção de leite e consequentemente na prevenção de perdas de leitões. Há autores que indicam a utilização de anti-inflamatórios em busca de reduzir a inflamação local e as endotoxinas, sendo citado a Cortisona, como anti-inflamatório esteroidal, e o Flunixin Meglumine, como anti-inflamatório não esteróide (JONES, 1986).

      Segundo Jones (1986) e Mcintosh (2002), a Ocitocina injetável também é indicada, um hormônio responsável por remover o leite das cisternas da teta, porém com meia vida muito curta, exigindo maior frequência de aplicações. Quando há presença de infecções, a aplicação de um antimicrobiano também se faz necessária, sendo importante o monitoramento da temperatura de forma a avaliar o eficiência do medicamento (MARTIN et al., 1992; McINTOSH, 2002).

      Como sugestão a JA Saúde Animal indica a utilização da Lactocina, produto à base de Ocitocina, que atua no aumento da ejeção do leite e, consequentemente, no incremento do volume final disponível a leitegada. Em casos infecciosos, sugere-se também a utilização do Diclotril, antimicrobiano de amplo-espectro e alta eficácia à base de Enrofloxacina e Diclofenaco de Sódio, que além de debelar a infecção, promove maior bem-estar animal através da ação anti-inflamatória, analgésica e antipirética.

 

Autores:

M.V. Eduardo de Castro Rezende

Médico Veterinário - JA Saúde Animal

 

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu

Médico Veterinário e Fundador da JA Saúde Animal

 

Referências:

EINARSSON, S. Agalactia in sows. Current therapy in theriogenology 2. MORROW, D.A. Saunders Company. Secção 11, p. 935-937. 1986.

FRASER, M.C.; BERGERON, J.A.; MAYS, A.; AIELLO, S.E. Manual Merck de Veterinária. 7ª edição, editora ROCA, São Paulo, 1997.

JONES, R. Farrowing and Lactation in the Sow and Gilt. The University of Georgia and Ft. Valley State College. Bulletin 872/March, 1986. Disponível em: http://www.ces.uga.edu/pubcd/b872-w.html, acessado em: 03 de janeiro de 2004.

KLOPFENSTEIN, C.; FARMER, C.; MARTINEAU, G.P. Diseases of the mammary glands and lactation problems. In: Diseases of swine. STRAW, B.E.; ALLAIRE, S.D.; MENGELING, W.L.; TAYLOR, D.J. 8 ed. Ames: Iowa State University Press. Cap. 58, p. 833-860. 1999.

MARTIN, C.E.; MCDOWELL, W.S. Lactation Failure (Mastitis-Metritis-Agalactia) . In: DUNNE, H.W.; LEMAN, A.D. Disease of swine. Charpter 49, 4ª edição, The Iowa State University Press, 1975.

MCINTOSH, B. Mastitis, metritis, agalactica (MMA) in pigs. DPI's PigTech Note. Reviewed: March 2002 . Disponível em: http://www.dpi.qld.gov.au/pigs/4441.html, acessado em 03 de janeiro de 2004.

POWE, T.A.; Lactation failure : dysgalactia, agalactia e hypogalactia. In: Current veterinary therapy 2: food animal practice. HOWARD, J. L. Saunders Company. Secção 13, p. 771-773. 1986.

SMITH, B.B.; MARTINEAU, G.; BISSAILLON, A. Mammary glands and lactation problems. In: Diseases of swine. LEMAN, A.D.; STRAW, B.E.; MENGELING, W.L.; ALLAIRE, S.D.; TAYLOR, D.J. 7ed. Ames: Iowa State University Press. Cap. 4, p. 40-61. 1992.

TOKACH, M.; TUBBS, R.C. Lactational insufficiency syndrome. In: Current therapy in large animal theriogenology. YOUNGQUIST, R.S. Saunders Company. Cap. 110, p. 745-749. 1997.

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