Clostridioses
Clostridioses em bovinos

As Clostridioses são causadas por bactérias anaeróbicas (bacilos gram-positivos) formadoras de esporos. Diversas espécies de Clostridium sp. são patogênicas e produzem toxinas que atuam de maneiras distintas no organismo, causando diferentes tipos de doenças. A maior parte das clostridioses é decorrente a ingestão de toxinas ou contaminação de ferimentos (Carter et al., 1995).

 

Quais são as principais doenças causadas por Clostridium sp.?

 

As principais doenças causadas por Clostridium sp. que afetam bovinos são: Tétano (Clostridium tetani); Botulismo (C. botulinum); Enterotoxemia (C. perfringes tipo D); Hemoglobinúria Bacilar (C. haemolyticum); Carbúnculo Sintomático (C. chauvoei); e por fim o Edema Maligno, também chamado de Gangrena Gasosa ou Miosite Necrótica (C. septicum, C. chauvoei, C. novyi tipo A, C. sordellii e C. perfringens tipo A) (Quevedo, 2015).

 

A manifestação das doenças ocorre de maneiras distintas. O Tétano, por exemplo, causa paralisia espástica da musculatura devido ao bloqueio da transmissão de neurotransmissores inibitórios pelas toxinas do C. tetani (Barros et al., 2006).

 

No Botulismo também há bloqueio neuromuscular, mas ao contrário do Tétano os sinais clínicos estão relacionados com paralisia flácida da musculatura (Costa et al., 2008).

 

A Enterotoxemia resulta em infecção intestinal aguda e toxemia sistêmica geralmente fatal, podendo ocorrer enterite hemorrágica, sinais clínicos neurológicos e morte súbita (Riet-Correa, 2007).

 

No caso da Hemoglobinúria Bacilar, o sistema hepático é afetado, ocasionando necrose e lise de eritrócitos. Os sinais clínicos se desenvolvem muito rápido e muitas vezes não são observados. Quando ocorrem há febre, icterícia, fezes enegrecidas e hemoglobinúria (Schild, 2007).

 

No Carbúnculo Sintomático ocorre necrose muscular e os sinais iniciam com claudicação grave; nas regiões musculares afetadas se apresentam aumentadas de volume e com crepitação, sendo que em animais com até dois anos de idade a evolução da doença é muito rápida, podendo causar morte em menos de 24 horas após o início dos sintomas (Gregory et al., 2006).

 

A infecção pelo C. chauvoei ocorre por meio da ingestão oral dos esporos, que passam pela mucosa intestinal e são absorvidos sistemicamente, se depositando na musculatura e permanecendo em estado de latência para posterior multiplicação quando há um ambiente de anaerobiose, como traumatismos por vacinação (Assis et al., 2005).

 

Sinais similares ao Carbúnculo Sintomático ocorrem no Edema Maligno, também chamado de Gangrena Gasosa ou Miosite Necrótica, com inchaço na musculatura, crepitação e edema, devido ao acúmulo de gás no tecido subcutâneo e músculos adjacentes, porém deve ter presença de alguma ferida para que ocorra a contaminação pelos esporos da bactéria (Riet-Correa, 2007).

Qual a sugestão de tratamento das Clostridioses?

 

O tratamento geral das Clostridioses baseia-se na administração de antibióticos, preferencialmente a Penicilina, assim como a utilização de antitoxinas no caso de botulismo e tétano (Lobato et al., 2013).

 

Porém, o tratamento na maioria das vezes não é eficaz devido à rápida evolução das doenças, fazendo com que os métodos de prevenção sejam as alternativas mais eficientes para evitar os prejuízos. Apesar da vacinação não ser garantia completa de proteção, ela é a principal forma de prevenção das Clostridioses quando realizada de acordo com as recomendações ideais (Lobato et al., 2000).

 

Devido a evolução rápida das Clostridioses, o tratamento deve ser iniciado imediatamente com antibióticos concentrados e de ação imediata. Nesse contexto, a sugestão da JA Saúde Animal é o uso do Gentopen, associação sinérgica à base de Penicilina Potássica e Gentamicina. Sua alta concentração e possibilidade de uso intravenoso permitem rápida ação e ótimos resultados no tratamento de infecções bacterianas agudas e superagudas.

 

Autora:

 

M.V. Hanna Prochno
Médica Veterinária – JA Saúde Animal

 

Referências bibliográficas:

 

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CARTER, G. R.; CHENGAPPA, M. M. & ROBERTS, A.W. (ed.) Essentials of veterinary microbiology. 5a ed. Williams & Wilkins, cap. 14. p. 134-141. 1995.
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